A trajetória do audiovisual nacional revela avanços e desafios para consolidar o Brasil no cenário global do cinema

O cinema brasileiro alcança destaque mundial graças a políticas públicas que suportam produções e fomentam parcerias internacionais.
Políticas públicas e o crescimento do cinema brasileiro no mercado global
Desde o fim da Embrafilme em 1990, o cinema brasileiro enfrentou um percurso de altos e baixos, mas as políticas públicas tornaram-se fundamentais para que o setor conquistasse visibilidade internacional. Filmes como “Ainda Estou Aqui”, que alcançou grande sucesso em premiações como o Globo de Ouro e o Oscar, simbolizam essa trajetória. A presença brasileira em festivais internacionais e o reconhecimento de diretores e atores têm sido consequências diretas do investimento público e da criação de mecanismos de apoio.
Marco legal e incentivo financeiro: bases para a retomada do audiovisual nacional
Entre as principais políticas estão a Lei Rouanet e a Lei do Audiovisual, que foram os primeiros passos para a reconstrução do setor nos anos 1990. A criação da Ancine em 2001 e do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) em 2006 ampliaram o suporte financeiro, garantindo a execução de projetos independentes e o fortalecimento do mercado interno. Em 2011, a Lei da TV paga instituiu cotas para conteúdo nacional, fomentando a produção para canais por assinatura e ampliando o alcance das obras brasileiras.
Impacto dos festivais internacionais e coproduções no reconhecimento do cinema brasileiro
O crescimento da participação em festivais renomados como Cannes, Berlim e Veneza tem sido crucial para a projeção do cinema nacional. Diretores como Kleber Mendonça Filho e produtores como Emilie Lesclaux destacam que esses eventos servem como vitrines para ampliar redes de contato e viabilizar coproduções internacionais. Em 2024, 24 coproduções com participação brasileira foram lançadas, refletindo uma estratégia importante para o acesso a orçamentos maiores e a novos mercados.
Desafios do mercado interno frente a concorrência estrangeira e a pandemia
Apesar dos avanços, o público brasileiro ainda apresenta uma preferência maior por produções estrangeiras, o que levou a uma queda significativa na participação dos filmes nacionais nas bilheterias, especialmente após o fim das cotas obrigatórias em 2021. A pandemia agravou essa situação, e em 2024 o público dos filmes nacionais foi menor que em 2009. O mercado interno ainda busca estratégias para reconquistar e ampliar sua audiência.
O futuro do cinema brasileiro: regulação das plataformas de streaming e novas perspectivas
Com a consolidação das plataformas de streaming como canais principais de consumo audiovisual, a regulamentação dessas empresas surge como o próximo passo para fortalecer o setor. Um projeto de lei aprovado na Câmara, que estabelece cotas de conteúdo nacional e contribuições ao Fundo Setorial do Audiovisual, busca garantir recursos e ampliar o acesso dos produtores brasileiros a esse mercado digital. Embora ainda em tramitação e sob debate, essa iniciativa representa uma esperança para a continuidade e expansão das políticas públicas no audiovisual.
O cinema brasileiro, portanto, vive uma fase de retomada e internacionalização, apoiada em políticas públicas que foram construídas ao longo de décadas e que continuam a evoluir para enfrentar os desafios atuais do mercado e da globalização audiovisual.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Divulgação/Sony Pictures










