Plano de trump enfrenta custos bilionários para manter usinas a carvão abertas

Estratégia do governo para impedir fechamentos de termelétricas a carvão nos EUA esbarra em falhas técnicas e disputas regulatórias

Plano de trump enfrenta custos bilionários para manter usinas a carvão abertas
Usina termelétrica a carvão nos Estados Unidos enfrenta desafios para continuar operando. Foto: The New York Times

Governo Trump tenta manter usinas a carvão abertas, mas enfrenta falhas técnicas, altos custos e disputas regulatórias nos EUA.

Desafios técnicos e financeiros para manter usinas a carvão abertas nos EUA

O governo do presidente Donald Trump está empenhado em manter usinas a carvão abertas em todo o país, uma medida que, desde dezembro, tem sido aplicada em usinas prestes a serem desativadas. A estratégia de manter usinas a carvão abertas visa garantir a segurança energética diante do aumento da demanda e evitar apagões, conforme afirmado pelo secretário de Energia, Chris Wright, na reunião do Conselho Nacional do Carvão em 15 de janeiro.

No entanto, especialistas alertam que esta medida enfrenta falhas técnicas significativas. Por exemplo, duas unidades de usinas ordenadas a permanecer operando já apresentam falhas, como a turbina quebrada na usina R.M. Schahfer, que pode levar seis meses ou mais para ser consertada. Além disso, muitas dessas plantas já haviam encerrado suas operações de manutenção e fechamento das minas de carvão, o que dificulta a reativação rápida e segura.

Custos bilionários pressionam concessionárias e consumidores

Manter usinas antigas em operação tem elevado custo financeiro. A Consumers Energy, por exemplo, gastou US$ 164 milhões entre maio e setembro para manter sua usina funcionando, gerando menos receita em comparação com esses gastos. Essas despesas adicionais estão gerando disputas entre reguladores e concessionárias sobre quem deve arcar com os custos, levantando a questão sobre o impacto na conta dos consumidores.

No Colorado, a usina Craig pode acarretar custos anuais de até US$ 80 milhões para os consumidores locais. As propostas para divisão dos custos entre estados e consumidores enfrentam resistência, enquanto estados como Washington impõem restrições legais para aquisição de energia proveniente de usinas a carvão, aumentando as barreiras regulatórias.

Reversão da tendência de fechamento das usinas a carvão

Desde 2005, o número de usinas a carvão em operação vinha caindo rapidamente nos Estados Unidos, impulsionada pela migração para fontes de energia mais limpas e econômicas, como gás natural e renováveis. No entanto, o governo Trump tem adotado medidas sem precedentes para frear esse declínio, inclusive revivendo o Conselho Nacional do Carvão, desativado no governo anterior.

Em 2025, a geração de eletricidade a partir do carvão cresceu 13%, e o ritmo de desativação diminuiu significativamente, com apenas 2,7 gigawatts desativados, o menor volume desde 2011. Esse cenário foi favorecido também pelo aumento da demanda energética, especialmente devido à expansão dos data centers no país.

Controvérsias ambientais e legais em torno da política energética

Grupos ambientalistas e alguns estados, como Michigan e Washington, têm contestado judicialmente as ordens emergenciais do Departamento de Energia para manter usinas a carvão abertas. As preocupações envolvem a poluição atmosférica gerada pelo carvão, que libera mercúrio e outros metais pesados, além do manejo dos resíduos tóxicos das cinzas.

Além disso, a flexibilização de regras ambientais pelo governo federal tem sido criticada por enfraquecer as medidas de proteção ambiental. Essas tensões refletem o conflito entre a necessidade energética e a preservação ambiental.

Implicações para o futuro da matriz energética dos Estados Unidos

Especialistas indicam que prolongar o funcionamento das usinas a carvão mais antigas pode ser contraproducente, pois distorce os mercados de energia e dificulta o planejamento de investimentos em novas tecnologias mais limpas e eficientes. A manutenção dessas usinas pode custar aos consumidores pelo menos US$ 3 bilhões por ano, segundo análise da consultoria Grid Strategies.

Embora o governo defenda a necessidade de garantir uma oferta estável de energia, o caminho para isso com usinas a carvão envelhecidas apresenta desafios técnicos, econômicos e ambientais que deverão influenciar o debate sobre o futuro da matriz energética americana.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: The New York Times