Laudos de auditoria indicam irregularidades recorrentes em fundos ligados ao Banco Master desde 2019

Desde 2019, auditores alertam para falta de documentos essenciais em fundos da Reag ligados ao Banco Master, indicando possíveis irregularidades.
Auditoria revela falhas documentais nos fundos da Reag há cinco anos
Desde 2019, os fundos da Reag ligados ao Banco Master enfrentam críticas contundentes em seus relatórios de auditoria, com repetidas advertências sobre a falta de documentos essenciais para comprovar a regularidade e transparência das operações. A análise dos pareceres aponta para uma sistemática dificuldade em obter evidências que atestem o valor dos ativos investidos e a composição societária dos fundos, o que compromete a confiabilidade das demonstrações financeiras.
Entre os fundos investigados estão o Hans 95, Maia 95, Olaf 95, Astralo 95 e Reag Growth, todos sob a gestão da Reag Trust Administradora e Reag Distribuidora de Títulos. O Banco Central classificou esses fundos como integrantes de um esquema fraudulento associado ao Banco Master, tendo alguns deles sido mencionados também na Operação Carbono Oculto, que apura a suposta infiltração do PCC no sistema financeiro.
Impacto dos pareceres de abstenção e ressalvas na confiança do mercado
Os auditores adotaram principalmente duas posturas ao longo dos últimos exercícios: a emissão de opiniões com ressalvas e a abstenção de opinião. A abstenção ocorre quando os auditores não conseguem obter evidências suficientes para formar uma opinião, enquanto a ressalva indica a existência de possíveis distorções ou inconsistências nas informações fornecidas.
No caso do fundo Hans 95, maior entre os apontados pelo Banco Central, com ativos superiores a R$ 34,9 bilhões, a Next Auditores se absteve de emitir parecer no último relatório disponível, após apontar 13 irregularidades na carteira. Problemas como cotas sem comprovação de aquisição e avaliação de ativos com base em laudos antigos ou não auditados evidenciam fragilidades graves na gestão e controle do fundo.
Operações suspeitas e máscaras financeiras utilizadas pela Reag
Investigadores suspeitam que as estruturas complexas de fundos e investimentos gerenciados pela Reag eram utilizadas para mascarar empréstimos fraudulentos do Banco Master a empresas envolvidas em desvios de recursos e inflacionamento artificial do patrimônio dos fundos. O processo incluiria a circulação de ativos supervalorizados entre fundos distintos, dificultando o rastreamento do dinheiro e potencialmente favorecendo beneficiários laranjas ligados a Daniel Vorcaro.
O fundo Olaf 95, por exemplo, concentrava 97% de seu patrimônio no Hans 95, fundo não auditado, o que levanta questionamentos sobre a transparência e a real liquidez dos ativos. A defasagem na apresentação de demonstrações contábeis auditadas em outros fundos investidos pelo Olaf agrava essas suspeitas.
Participação da Reag e desafios regulatórios
A Reag exerce papel central na administração, gestão e custódia desses fundos, funções que lhe conferem responsabilidades regulatórias para garantir a legalidade e transparência das operações. No entanto, a persistência das falhas indicadas pelos pareceres de auditoria revela lacunas na governança e controle interno.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), responsável pela supervisão do mercado de fundos no Brasil, atua na fiscalização e pode aplicar sanções, incluindo a substituição de administradores, suspensão de captações ou liquidação dos fundos, conforme previsto na Resolução 175 da CVM. Contudo, fontes do setor apontam que o órgão enfrenta limitações de recursos para investigar de forma exaustiva todo o mercado, agindo muitas vezes apenas após denúncias ou indícios claros de irregularidades.
Consequências e perspectivas para os investidores e o mercado
A revelação das falhas documentais e irregularidades nos fundos da Reag afeta diretamente a confiança dos investidores e ressalta a necessidade de aprimoramento na fiscalização e transparência do mercado financeiro. O desenrolar das investigações e eventuais medidas administrativas ou judiciais poderão definir o futuro desses fundos e o impacto para os cotistas.
Diante desse cenário, a responsabilidade dos administradores, gestores e custodiante torna-se fundamental para garantir a integridade dos fundos de investimento e evitar fraudes que prejudiquem o mercado e os investidores.
As autoridades e órgãos reguladores continuam monitorando o caso, buscando identificar todos os envolvidos e assegurar que as normas do setor sejam cumpridas rigorosamente.
Fonte: www1.folha.uol.com.br










