Golden Green e Global Carbon valorizam ativos bilionários baseados em área da União destinada à reforma agrária

Empresas Golden Green e Global Carbon criaram R$ 45 bilhões em créditos de carbono sobre terras públicas destinadas à reforma agrária.
Uso irregular de terras públicas para criação de créditos de carbono no Amazonas
As empresas Golden Green e Global Carbon alcançaram uma valorização superior a R$ 45 bilhões através de créditos de carbono baseados na Fazenda Floresta Amazônica, localizada em Apuí (AM), uma área pública com 143,9 milhões de hectares destinada à reforma agrária. Essa região, gerida pela União e confirmada pelo Incra como destinada a projetos sociais, não poderia sustentar créditos privados, tornando as negociações irregulares. O Incra já adotou medidas administrativas para impedir a regularização dessas terras como propriedade privada, vetando cadastros no SNCR e certificações no Sigef.
Valorização bilionária sem respaldo legal na origem dos créditos
Documentos indicam que as empresas foram sucessivamente reavaliadas por auditorias renomadas, incluindo Ernst Young, PwC e Crowe, que aumentaram o valor dos créditos de carbono sem questionar a origem dos estoques ambientais. Essas avaliações foram baseadas em inventários de carbono da Unesp e em metodologias aprovadas, mas não refletem a irregularidade da posse das terras. O valor unitário dos créditos passou de R$ 129,30 para R$ 197,49 em poucos anos, elevando os ativos a cifras bilionárias, apesar da inexistência de mercado formal para esses créditos de estoque de carbono.
Relação dos fundos Reag e investigação policial sobre lavagem de dinheiro
Golden Green e Global Carbon são controladas por fundos administrados pela Reag, que está sob investigação da Polícia Federal na Operação Carbono Oculto, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro ligada ao PCC. Os fundos Jade e New Jade 2, vinculados às empresas, fazem parte de uma complexa cadeia financeira que envolve veículos apontados como fraudulentos pelo Banco Central, o que amplia as suspeitas sobre a origem e a legitimidade dos ativos ambientais valorizados.
Diferença entre créditos de estoque de carbono e créditos negociáveis
O mercado reconhece créditos de carbono como certificados que comprovam redução real e vendável de emissões. No entanto, as empresas baseiam seus ativos em “unidades de estoque de carbono”, que são estimativas do carbono existente na área, sem garantias de negociação ou compradores. Essa distinção gera dúvidas sobre o valor real dos ativos e sobre a transparência das transações financeiras recentes.
Reação das empresas e das auditorias diante das irregularidades apontadas
A Global Carbon reconhece que as terras são públicas e informa estar em tratativas para a regularização dos ativos. A Golden Green não respondeu aos questionamentos. As auditorias, como a Ernst Young e a Crowe, afirmam que seus trabalhos seguiram normas e que avaliaram metodologias e balanços auditados, porém sem realizar verificações sobre a propriedade das terras. A comissão de valores mobiliários permite avaliações baseadas em balanços, mesmo sem auditorias completas, o que pode abrir espaço para distorções no mercado.
Impactos econômicos e ambientais da valorização irregular dos créditos
O uso de terras públicas para lastrear créditos de carbono privados levanta questões sobre o controle ambiental, a integridade do mercado de carbono e a proteção de áreas destinadas à reforma agrária. A valorização bilionária sem respaldo legal pode gerar prejuízos fiscais e sociais, além de comprometer a credibilidade dos mecanismos de compensação ambiental no país. Autoridades seguem investigando o caso, buscando medidas judiciais e administrativas para coibir práticas irregulares e proteger os interesses da União e da sociedade.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: de carbono em Apuí (AM










