Contrato milionário entre Daniel Vorcaro e BTG foi fechado dias antes de sua detenção e da liquidação do Banco Master

Dias antes de ser preso, Vorcaro firmou contrato de empréstimo de R$ 86 milhões com BTG, pouco antes da liquidação do Banco Master.
Vorcaro firmou contrato de empréstimo de R$ 86 milhões com BTG dias antes da prisão
No dia 12 de novembro de 2025, o banqueiro Daniel Vorcaro firmou um contrato de empréstimo com o BTG, no valor de mais de R$ 86 milhões, poucos dias antes de sua prisão em 17 de novembro. O acordo, formalizado por meio de uma Cédula de Crédito Bancário (CCB), estabeleceu um vencimento para 26 de dezembro de 2025, com juros de 100% da taxa DI mais 12% ao ano. Como garantia, Vorcaro ofereceu uma conta vinculada mantida no BTG, incluindo todos os valores e rendimentos associados.
Detalhes do contrato e garantias associadas à conta vinculada
O contrato de cessão fiduciária em garantia foi anexado à CCB e assinado por Vorcaro na pessoa física. Esse acordo conferia ao BTG a posse da conta vinculada, englobando valores depositados, investimentos, juros e demais receitas da conta. Em 14 de novembro, houve um complemento que elevou o principal da CCB para aproximadamente R$ 86,38 milhões. O acordo trazia cláusulas específicas que previam o vencimento antecipado do contrato caso ocorresse qualquer processo de insolvência, intervenção, falência, liquidação judicial ou extrajudicial, ou regime especial decretado pelo Banco Central envolvendo Vorcaro ou o Banco Master.
Prisão de Vorcaro, intervenção do Banco Central e liquidação do Master
Na noite de 17 de novembro, poucos dias após o contrato ser registrado em cartório, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em meio a investigações que envolvem o Banco Master. Paralelamente, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master, instituição financeira que vinha sofrendo questionamentos legais desde o primeiro semestre de 2025, envolvendo inquéritos civis e ações do Ministério Público e da Polícia Federal. A liquidação do Master desencadeou a maior operação de resgate da história do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com um compromisso estimado em R$ 41 bilhões para atender cerca de 1,6 milhão de credores.
Investigações e impacto regulatório na situação financeira de Vorcaro
Os questionamentos legais sobre o Banco Master tiveram início após a aquisição de 58% de suas ações pelo Banco de Brasília (BRB) e se intensificaram ao longo do ano seguinte com ações do Ministério Público e da Polícia Federal. O contrato entre Vorcaro e o BTG incluía declarações de que não existiam pendências, processos ou investigações que pudessem afetar os direitos cedidos ou comprometer sua capacidade de pagamento. No entanto, o cenário jurídico e regulatório mudou rapidamente, culminando na prisão de Vorcaro e na liquidação do banco. A legislação prevê que, em casos de liquidação, os bens dos ex-administradores e controladores ficam indisponíveis até a apuração final de suas responsabilidades.
Consequências financeiras e jurídicas para os envolvidos
A liquidação do Banco Master representa um marco na atuação do Banco Central e do FGC, que terão de honrar uma garantia de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ para mais de um milhão de credores, totalizando R$ 41 bilhões. Para Vorcaro, o contrato de empréstimo celebrado com o BTG, apesar de tentar assegurar recursos, foi impactado pela prisão e pelo processo de liquidação judicial. As cláusulas do contrato previam justamente a antecipação do vencimento em situações como intervenção ou liquidação do banco, o que pode acarretar consequências complexas para as obrigações financeiras do empresário. O caso segue sob investigação das autoridades, com potenciais desdobramentos judiciais e financeiros.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: m mostra Daniel Vorcaro, de terno escuro e gravata azul segurando microfone enquanto fala sentado em cadeira branca. Ao lado, há uma garrafa de água e uma canec










