Chocolate, queijo, azeite e molho de tomate terão impostos reduzidos pelo acordo UE-Mercosul

Redução gradual das alíquotas deve tornar produtos europeus mais acessíveis no Brasil a partir do primeiro ano do tratado

Chocolate, queijo, azeite e molho de tomate terão impostos reduzidos pelo acordo UE-Mercosul
Área de frios de um supermercado de Roma, na Itália. Foto: Andreas Solaro/AFP

Acordo entre UE e Mercosul prevê redução gradual de impostos para chocolates, queijos, azeites e molhos de tomate, beneficiando consumidores brasileiros.

Acordo UE-Mercosul e impacto imediato nos preços de alimentos importados

O acordo comercial firmado entre União Europeia e Mercosul, aprovado em 9 de janeiro de 2026 pelos países europeus, prevê uma redução gradual das alíquotas de importação para uma série de produtos, incluindo chocolates, queijos, azeites e molhos de tomate. A expectativa é que esses alimentos, conhecidos pela alta qualidade na Europa, fiquem mais baratos no Brasil já no primeiro ano de vigência do tratado, que ainda aguarda aprovação pelo Parlamento Europeu. Um dos atores centrais desse processo é o setor de comércio exterior brasileiro, que deverá acompanhar de perto a implementação das mudanças para ajustar estratégias e aproveitar as oportunidades.

Redução progressiva das alíquotas e cronograma para principais produtos europeus

Os chocolates europeus, atualmente tributados com 20% no Brasil, terão a tarifa eliminada a partir do décimo ano do acordo. Entretanto, os cortes nas alíquotas começam já no primeiro ano, promovendo uma diminuição gradual no preço ao consumidor final. De forma semelhante, os queijos da UE, com alíquota atual de 16%, também terão suas tarifas zeradas a partir do décimo ano, respeitando uma cota anual de 30 mil toneladas para o Mercosul. A exceção fica por conta da mozarela, que seguirá sendo tributada em 28%. Quanto aos azeites, atualmente taxados em 10%, a alíquota será zerada no 15º ano, mas os descontos iniciais começam no primeiro ano, impactando diretamente o mercado brasileiro, que depende quase integralmente de importações, especialmente de Portugal.

Benefícios para consumidores brasileiros e influência no mercado local

A redução das tarifas deve ampliar o acesso dos consumidores brasileiros a produtos europeus de alta qualidade com preços mais competitivos. Os molhos de tomate italianos, que hoje pagam 18% de imposto, e os kiwis importados majoritariamente da Grécia e Itália também terão alíquotas zeradas dentro de dez anos e no primeiro ano, respectivamente. Essa abertura comercial pode incentivar a diversificação do consumo e fortalecer a presença de marcas europeias no mercado nacional. Além disso, o reconhecimento recíproco de indicações geográficas previsto no acordo protegerá produtos regionais brasileiros, como café e queijos, ampliando oportunidades para a indústria nacional no exterior.

Impacto e expectativas para o agronegócio brasileiro com o tratado

Embora alguns agricultores europeus manifestem preocupações sobre a competitividade frente à carne brasileira, a aprovação do acordo é vista com otimismo no Brasil, especialmente pelo setor do agronegócio. Estima-se que 77% dos produtos agropecuários exportados pelo Mercosul terão suas tarifas eliminadas no mercado europeu, beneficiando carnes suína e de frango, açúcar, bovinos, e óleos vegetais. Simulações do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que, até 2040, as exportações brasileiras de carnes suína e de aves para a Europa podem crescer quase 20%. Organizações como a Associação Brasileira de Proteína Animal e a Confederação Nacional da Indústria ressaltam que o tratado representa avanço no comércio exterior e fortalecimento da indústria nacional.

Considerações finais sobre o acordo e sua implementação futura

O tratado comercial entre União Europeia e Mercosul representa um marco para o comércio bilateral, com potencial para alterar significativamente o panorama econômico de ambos os blocos. Para os consumidores brasileiros, a perspectiva de preços mais baixos em produtos europeus de renome é um benefício direto, enquanto para o setor produtivo nacional, a expansão das exportações é uma oportunidade estratégica. Resta acompanhar a tramitação legislativa europeia e os detalhes do cronograma de implementação para avaliar os impactos concretos ao longo dos próximos anos.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Andreas Solaro/AFP