Mercado de canetas emagrecedoras cresce e receberá genéricos com queda da patente do Ozempic

Fim da exclusividade da semaglutida impulsiona expansão do setor farmacêutico e amplia acesso a tratamentos contra obesidade

Mercado de canetas emagrecedoras cresce e receberá genéricos com queda da patente do Ozempic
Profissional segura caneta injetora de medicamento para obesidade Foto: Folhapress

Mercado de canetas emagrecedoras deve dobrar com o fim da patente do Ozempic, estimulando concorrência e expansão do acesso a tratamentos.

Expansão do mercado de canetas emagrecedoras com fim da exclusividade da semaglutida

O mercado de canetas emagrecedoras deve experimentar um crescimento expressivo a partir de março, com a queda da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy. Esta mudança marca uma nova etapa para o setor farmacêutico, que projeta faturamento de até R$ 20 bilhões em 2026, quase o dobro dos R$ 11 bilhões estimados para 2025. O presidente do Sindusfarma, Nelson Mussolini, destaca que o fim da patente deve intensificar a competição, promovendo redução de preços e ampliando o acesso. Atualmente, apenas 1,1% dos adultos com sobrepeso e 2,5% dos obesos no Brasil utilizam esses medicamentos, índices inferiores aos registrados em países como os Estados Unidos.

Corrida por genéricos e impacto na concorrência farmacêutica

A expectativa pela entrada de medicamentos genéricos e similares tem levado diversas farmacêuticas a intensificar pedidos de registro junto à Anvisa. Dados indicam 11 solicitações para versões sintéticas contendo semaglutida e sete para liraglutida, outro princípio usado em tratamentos contra obesidade e diabetes. Empresas como EMS, Eurofarma e Hypera já anunciaram investimentos para produção dessas versões mais acessíveis, que devem custar entre 30% e 50% menos que os produtos originais. Apesar do potencial aumento da concorrência, especialistas apontam que, mesmo com preços menores, o acesso continuará restrito a parcela da população com maior poder aquisitivo.

Avanço da obesidade no Brasil e desafios do acesso ao tratamento

Segundo dados recentes, 68% da população brasileira está acima do peso e 31% é obesa, com crescimento acelerado especialmente entre adultos. Entretanto, o elevado custo das canetas emagrecedoras — que variam de R$ 900 a R$ 3.000 por caixa — e a falta de cobertura pelo Sistema Único de Saúde (SUS) limitam a adoção em larga escala. A Comissão Nacional de Incorporações de Tecnologias (Conitec) rejeitou a inclusão da semaglutida no SUS em 2025, citando impacto financeiro significativo. No entanto, especialistas e analistas indicam que a redução de preços com genéricos pode reabrir o debate sobre o fornecimento público dessas medicações.

Regulação, segurança e uso responsável dos medicamentos emagrecedores

O mercado enfrenta desafios regulatórios, como o controle de versões manipuladas inadequadamente e o uso fora das indicações aprovadas, que podem causar efeitos colaterais sérios. A Anvisa tem proibido a comercialização de versões não regulamentadas, enquanto operações da Polícia Federal combateram redes clandestinas de distribuição. O endocrinologista Bruno Geloneze ressalta a importância de que o tratamento seja acompanhado por equipes de saúde qualificadas e inserido em programas de mudança de estilo de vida, garantindo eficácia e segurança para os pacientes.

Perspectivas futuras para canetas emagrecedoras e políticas de saúde

Novos medicamentos em desenvolvimento, como o retatrutide, prometem resultados ainda mais expressivos, o que pode intensificar a competição no mercado. Modelos de gerenciamento e compartilhamento de risco são apontados como alternativas para ampliar o acesso no SUS e planos privados, desde que associados a critérios claros e acompanhamento médico. O desafio reside em equilibrar a inovação e o custo, mantendo atualizada a lista de tratamentos disponíveis para oferecer opções eficazes e sustentáveis no combate à obesidade no Brasil.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Folhapress