Político de 39 anos não resistiu a ferimentos sofridos há mais de dois meses; caso reacende temor da violência política na Colômbia
A Colômbia amanheceu em luto nesta segunda-feira (11) com a confirmação da morte do senador Miguel Uribe Turbay, de 39 anos, pré-candidato à presidência pelo partido de centro-direita Centro Democrático. Uribe estava internado desde 7 de junho, quando foi alvo de um atentado durante um comício em Bogotá. O falecimento foi anunciado por sua esposa, Maria Claudia Tarazona, e confirmado pela Fundação Santa Fé, hospital onde ele permanecia em tratamento intensivo.

O ataque que tirou a vida de Uribe ocorreu enquanto ele discursava para apoiadores, no auge de sua pré-campanha para as eleições presidenciais previstas para março de 2026. Testemunhas relatam que ele foi atingido por três disparos — dois na cabeça e um na perna — antes de ser socorrido em estado gravíssimo. A ação marcou o início de uma série de ataques políticos recentes no país, que fizeram ressurgir memórias amargas dos anos 1990, quando três candidatos à presidência foram assassinados durante suas campanhas.
Desde o atentado, o senador passou por múltiplas cirurgias e longos períodos de sedação, em uma batalha constante para sobreviver. No último sábado (9), porém, seu estado piorou devido a uma hemorragia no sistema nervoso central, obrigando a equipe médica a realizar uma intervenção de emergência. Apesar dos esforços, Uribe faleceu às 1h56 da madrugada no horário local (23h56 de domingo em Brasília). O hospital destacou que sua equipe “trabalhou incansavelmente” para salvar o paciente, lamentando o “desfecho triste”.
Trajetória política e legado familiar
Uribe era considerado um dos nomes mais promissores da nova geração política colombiana. Senador desde 2022, já havia ocupado cargos relevantes, como vereador de Bogotá (2012-2015) e secretário de Governo da capital (2016-2019), durante a gestão de Enrique Peñalosa. Em 2019, concorreu à prefeitura de Bogotá, ficando em quarto lugar. No fim de 2024, no mesmo local onde sua mãe foi assassinada, anunciou sua intenção de disputar a presidência em 2026, afirmando que sua vida pública havia sido moldada pela tragédia familiar.
O pré-candidato era neto do ex-presidente Julio César Turbay Ayala, que governou a Colômbia entre 1978 e 1982. Sua mãe, a jornalista Diana Turbay, foi sequestrada pelo Cartel de Medellín em 1990 e morta no ano seguinte durante uma operação de resgate. Ao falar sobre o episódio, Miguel Uribe costumava dizer: “Eu poderia ter crescido buscando vingança, mas escolhi o caminho de perdoar, sem jamais esquecer”.
Sua trajetória era frequentemente comparada à de outros políticos colombianos que, assim como ele, perderam pais assassinados durante a vida pública, como Carlos Fernando Galán, atual prefeito de Bogotá, e María José Pizarro, senadora e rival política.
Reações nacionais e internacionais
A morte de Uribe gerou comoção dentro e fora da Colômbia. O ex-presidente Álvaro Uribe Vélez, líder do Centro Democrático, lamentou o ocorrido: “O mal destrói tudo, mataram a esperança. Que a luta de Miguel ilumine o caminho correto da Colômbia”. Apesar do mesmo sobrenome, Álvaro e Miguel não tinham relação de parentesco.
Nos Estados Unidos, o secretário de Estado Marco Rubio manifestou pesar e pediu apuração rigorosa: “Estamos solidários com a família e com o povo colombiano, tanto no luto quanto na exigência de justiça contra os responsáveis”.
Clima político e riscos à democracia
O assassinato do candidato reacendeu o debate sobre a segurança de líderes políticos no país e a fragilidade do processo eleitoral diante da escalada de violência. A Colômbia ainda carrega o trauma de figuras como Luis Carlos Galán, Carlos Pizarro e Bernardo Jaramillo, assassinados entre 1989 e 1990, em um período marcado pelo avanço do narcotráfico e pela instabilidade institucional.
Uribe representava uma plataforma de centro-direita que criticava fortemente a gestão do presidente Gustavo Petro e defendia políticas mais duras contra o crime organizado. Sua morte não apenas deixa uma lacuna política, mas também levanta dúvidas sobre os rumos do partido Centro Democrático, que ainda não havia definido oficialmente seu candidato para 2026.
Despedida
Maria Claudia Tarazona, em uma mensagem emocionada nas redes sociais, descreveu a perda como “o maior desafio de sua vida” e prometeu cuidar do filho do casal. “Você sempre será o amor da minha vida. Obrigada por ser o melhor pai para Alejandro. Descansa em paz”, escreveu.
Enquanto a família se despede, a Colômbia enfrenta mais uma dolorosa lembrança de que a violência política ainda é uma ameaça presente. O legado de Miguel Uribe, no entanto, permanece como símbolo de resiliência e compromisso com a democracia — uma bandeira que, segundo aliados, seguirá sendo defendida pelos que acreditavam em seu projeto para o país.
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