Min Aung Hlaing defende pleito militar em meio a críticas internacionais e conflito interno

Min Aung Hlaing defende as eleições em Mianmar como livres e justas, apesar das críticas e da exclusão de opositores desde o golpe de 2020.
As eleições em Mianmar, conduzidas pela junta militar sob liderança de Min Aung Hlaing, são apresentadas oficialmente como um retorno à normalidade democrática, cinco anos após o golpe de Estado que resultou na deposição do governo civil e instaurou um regime militar contestado internacionalmente.
Contexto das Eleições em Mianmar
Min Aung Hlaing declarou a jornalistas, após votar em Naypyidaw, que “garantimos que será uma eleição livre e justa”. Apesar da afirmação, o pleito é visto como uma tentativa de legitimar o regime militar que anulou o resultado da eleição de 2020 alegando fraude.
O partido governista, União, Solidariedade e Desenvolvimento (USDP), alinhado aos militares, concentra mais de 20% dos candidatos, enquanto a ex-líder Aung San Suu Kyi e seu partido, a Liga Nacional para a Democracia (LND), vencedores avassaladores em 2020, foram impedidos de participar após a dissolução da LND e de outras legendas opositoras.
Detalhes e Impedimentos no Processo Eleitoral
O pleito ocorrerá em três etapas ao longo de um mês e usará urnas eletrônicas que não permitem votos nulos ou inscrição manual de candidatos, fato que restringe ainda mais a competição eleitoral.
Aspectos importantes a considerar:
Cerca de 22 mil presos políticos seguem detidos, segundo agências.
Mais de 19 milhões de pessoas não foram recenseadas por “restrições de segurança”.
Eleições canceladas em 65 das 330 cadeiras da Câmara Baixa devido à instabilidade.
Exclusão de mais de 1 milhão de rohingyas apátridas, refugiados em Bangladesh.
A Comissão Eleitoral da União é controlada pelas Forças Armadas, sem independência segundo observadores internacionais.
Sanções da União Europeia atingem o chefe da comissão eleitoral, Than Soe, por minar a democracia.
- Redes sociais foram bloqueadas e novas leis impõem até 10 anos de prisão para protestos ou críticas às eleições.
Além disso, as zonas sob controle de grupos rebeldes, resultado da guerra civil desencadeada após o golpe, não participarão do pleito.
Impactos e Prazos da Eleição Militar
O sistema eleitoral privilegia partidos maiores por meio de combinação de maioria simples e representação proporcional. Dos 57 partidos candidatos, somente seis se qualificaram para concorrer em múltiplas regiões, conforme a Rede Asiática para Eleições Livres (ANFREL).
A constituição elaborada pelos militares reserva a eles um quarto das cadeiras parlamentares, garantindo influência significativa mesmo diante dos resultados eleitorais.
O parlamento, composto pela câmara baixa, alta e membros militares, elegerá três vice-presidentes, dos quais um será escolhido presidente da república.
Os resultados oficiais são esperados para o final de janeiro de 2026.
Enquanto isso, o governo militar mantém rígido controle sobre a imprensa, civilidade e liberdades políticas, com pouca adesão internacional a observadores independentes — a Bielorrússia, país governado por um regime autoritário, enviou uma das poucas delegações à votação.
Assim, as eleições em Mianmar refletem um cenário de forte tensão política, exclusões massivas e restrições à participação democrática, apesar da retórica oficial sobre transparência e liberdade.
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Este panorama evidencia a complexidade e os desafios enfrentados pela população de Mianmar em sua busca por um sistema político legítimo e representativo, enquanto a comunidade internacional acompanha o desenrolar do processo sob grande ceticismo.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: SAI AUNG MAIN/AFP










