O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS), conhecido como Conselhão, entregou ao presidente Lula um conjunto de propostas estratégicas para o desenvolvimento do país. A iniciativa ocorreu durante a 6ª Reunião Plenária do conselho, realizada em Brasília, que reuniu representantes do governo, da sociedade civil e do empresariado.
O documento, intitulado *Pilares de um Projeto de Nação*, é resultado de intensos debates nas comissões temáticas do conselho. As propostas foram elaboradas a partir da Estratégia Brasil 2050, coordenada pelo Ministério do Planejamento e Orçamento, com metas para a próxima década e ações para os próximos cinco anos.
Segundo Olavo Noleto, secretário-executivo do Conselhão, as contribuições serão valiosas para o futuro do país, dada a diversidade de perspectivas reunidas. “Os diferentes estão aqui [no Conselhão], o que é uma riqueza. Porque, no Brasil em que as diferenças são disputadas a tapa, aqui a gente está provando que as diferenças são possíveis”, afirmou Noleto.
A reunião do Conselhão também serviu como plataforma para debates públicos sobre temas cruciais para o país. Representantes de diversos setores apresentaram suas perspectivas e demandas, buscando influenciar as políticas públicas e o desenvolvimento nacional.
O produtor de soja e algodão, Eraí Maggi, reconheceu medidas do governo que beneficiaram o setor agropecuário, como o desenvolvimento de biotecnologias e a normatização para o uso de defensivos agrícolas seguros. Ele também destacou a ampliação do acesso ao crédito bancário para os produtores rurais, impulsionando a produção e a geração de empregos.
A empresária Luiza Trajano elogiou a redução da taxa de desemprego e a recente regulação das *bets*. No entanto, ela criticou a alta de juros, que, segundo ela, prejudica a atividade econômica, e convocou os empresários a se engajarem no combate à violência contra as mulheres. “Vamos parar de falar mal do Brasil. Vamos destacar o que nós temos de bom e valorizar o que é nosso”, disse Trajano.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ressaltou que o Brasil tem motivos para ser otimista, apesar dos desafios econômicos. Ele enfatizou a importância do diálogo para superar os obstáculos e destacou os avanços na taxa de emprego, redução da informalidade e desigualdade de renda, além da saída do país do Mapa da Fome.
A cientista da computação Nina da Hora defendeu a soberania digital tecnológica do Brasil, com investimentos em softwares nacionais e universidades públicas. A vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Mônica Veloso, celebrou a valorização do salário mínimo e a correção da tabela do Imposto de Renda, mas cobrou atenção aos aposentados e o fim da escala 6×1.
O cofundador da Cufa, Preto Zezé, defendeu uma renovação do debate sobre segurança pública, com intervenções integradas nos territórios urbanos. O ativista Ivan Baron abordou a inclusão de pessoas com deficiência no orçamento público e a proteção do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Além das propostas estratégicas, o Conselhão entregou ao presidente Lula outros documentos importantes. Entre eles, o projeto *Move Mundo*, com mensagens da comunidade científica da Amazônia para a COP30, a Agenda Positiva do Agro 2025 e o Portfólio de Investimentos Voltados à Transformação Ecológica no Brasil.










