Em Mato Grosso do Sul, o Dia do Samba ganha um significado especial. Longe dos holofotes do eixo Rio-São Paulo, o ritmo demonstra vitalidade e força, impulsionado por gerações que mantêm viva essa tradição cultural. A data, celebrada nesta terça-feira (2), reverbera nos corações de artistas e comunidades locais.
Um exemplo dessa dedicação é Wlauer Carvalho, mestre da bateria da Unidos da Vila Carvalho. Com 36 anos dedicados à escola, ele compartilha sua paixão: “Sou nascido dentro da escola de samba. Acompanhei meu pai desde pequeno na luta para não deixar o samba morrer”. Para ele, a bateria transcende a função de compasso, sendo “uma verdadeira sala de aula, um espaço de formação musical e humana”.
A cena sul-mato-grossense se renova com o crescente protagonismo feminino. Coletivos como o Mistura das Minas demonstram a pluralidade e a constante transformação do gênero na região. Elas desafiam as convenções e mostram que o samba é um espaço para todos.
“O samba permeia nossas vidas desde a infância”, afirma Ariadne Farinéa, integrante do Mistura das Minas, que cresceu em meio ao samba carioca. O grupo ocupa espaços antes dominados por homens, comandando instrumentos e ritmos com talento e alma. “Queremos que a música alcance todos os cantos da cidade. Quanto maior a diversidade, mais forte é a cultura”, completa Ariadne, ressaltando a importância da inclusão.
Assim, o samba em Mato Grosso do Sul se revela como memória, herança e identidade. Presente nas escolas de samba, nas vozes femininas, nas rodas de bar e nas comunidades, ele celebra sua própria voz, desafiando os eixos tradicionais e mostrando que o ritmo floresce forte e vibrante, impulsionado pelo amor e pela resistência.










