Decisão judicial destaca negligência em atendimento no Hospital Sírio-Libanês

Justiça mantém condenação da médica Alessandra Gomes por homicídio culposo na morte do bebê Pedro no Hospital Sírio-Libanês.
Justiça paulista mantém condenação de médica por homicídio culposo
A Justiça de São Paulo decidiu, em 26 de novembro, manter a condenação da médica Alessandra Araújo Gomes por homicídio culposo, referente à morte do bebê Pedro de Assis Cândido, de um ano, ocorrida em 2018 no Hospital Sírio-Libanês. O caso gerou grande repercussão devido às alegações de negligência médica e a intensa dor enfrentada pela criança antes de seu falecimento.
O caso do bebê Pedro de Assis Cândido
Pedro foi internado no Hospital Sírio-Libanês para realizar um transplante de medula óssea após ser diagnosticado com doença granulomatosa crônica, uma condição que compromete a capacidade do corpo de combater infecções. Segundo a decisão judicial, o bebê sofreu por mais de seis horas antes de falecer, com sinais de dor intensa e choro incontrolável, que foram ignorados pela equipe médica.
Os pais do bebê relataram que pediram insistentemente pela presença de um médico, mas a assistência só foi prestada quando o quadro já se havia agravado, resultando em uma parada cardiorrespiratória.
Alegações de negligência médica
De acordo com a denúncia do Ministério Público, a médica foi acionada várias vezes pela equipe de enfermagem, mas optou por não comparecer ao quarto. A defesa, representada pelos advogados Douglas Goulart e Rinaldo Lagonegro Jr, argumenta que Alessandra não teve acesso a informações que indicassem a gravidade do estado do bebê, e que as decisões tomadas foram baseadas nos registros da equipe de enfermagem.
A desembargadora Isaura Barreira, relatora do processo, destacou em sua decisão que as evidências demonstram a necessidade de uma intervenção médica imediata, uma vez que os sintomas do bebê estavam em um estado crítico. Ela enfatizou que a ausência de atendimento adequado contribuiu para o sofrimento prolongado da criança, que poderia ter sido evitado.
Repercussão e planos da defesa
Após a confirmação da condenação, a defesa da médica anunciou que pretende recorrer da decisão, alegando que a Justiça desconsiderou provas que poderiam isentá-la de culpa. Os advogados afirmam que Alessandra é uma especialista renomada e que sua responsabilização é injusta, considerando que o evento estava relacionado a uma complicação da doença do paciente.
Além da condenação criminal, a médica e outros profissionais envolvidos já enfrentaram ações cíveis e foram condenados a pagar R$ 2,9 milhões à família do bebê. A situação gerou descontentamento na família, que critica a atuação do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) por não ter concluído um processo administrativo para investigar a conduta da médica.
Conclusão
O caso do bebê Pedro de Assis Cândido levanta questões importantes sobre a responsabilidade médica e a qualidade do atendimento em hospitais. A decisão da Justiça paulista serve como um alerta para a necessidade de diligência e cuidado nas intervenções médicas, especialmente em situações críticas que envolvem pacientes vulneráveis como crianças.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Arquivo pessoal










