Operação conjunta da PF e Receita Federal revela esquema sofisticado de sonegação de impostos

Operação revela esquema de fraude em importações em Apucarana, com rota via Paraguai para sonegar impostos.
Fraude em importações exposta em Apucarana
Em uma operação conjunta realizada pela Polícia Federal (PF) e pela Receita Federal, um sofisticado esquema de fraude em importações foi revelado em Apucarana. A operação, que ocorreu na manhã desta terça-feira (2), desvendou a utilização de uma rota logística inusitada pelo Paraguai para sonegar impostos e ocultar os reais donos das cargas têxteis.
Batizada de “Head Cap”, a ação cumpriu três mandados de busca e apreensão. De acordo com os delegados envolvidos na investigação, as empresas de Apucarana contratavam uma importadora sediada em Itajaí (SC) para realizar as compras de tecidos e aparas, mas a logística utilizada desafiava a lógica comercial usual. As mercadorias, que deveriam chegar diretamente ao Brasil pelo porto de Santa Catarina, eram direcionadas ao Paraguai antes de seguir para Apucarana.
O delegado da Receita Federal, Reginaldo Cezar, e o delegado da PF, Marcello Diniz, explicaram que essa movimentação atípica levantou suspeitas sobre o esquema. Diniz afirmou: “As mercadorias nunca passavam pelos estoques da empresa de Itajaí, o que indica uma tentativa de burlar a fiscalização e ocultar a origem e o destino final da carga”.
A investigação revelou que a importadora de Itajaí servia como um “escudo” para os empresários paranaenses. Isto é, a empresa catarinense não possuía recursos próprios para fazer pagamentos ao exterior. Em vez disso, recebia dinheiro das empresas de Apucarana, que eram os verdadeiros compradores das mercadorias. Essa estratégia tinha como objetivo proteger o patrimônio dos empresários locais, pois, em caso de fiscalização, a responsabilidade recairia sobre a importadora de Itajaí, que não tinha ativos suficientes para quitar eventuais dívidas.
Como as mercadorias já haviam sido consumidas ou vendidas, a Receita Federal não pôde apreendê-las. Contudo, uma multa de R$ 2,15 milhões foi aplicada, correspondente ao total dos produtos fraudados identificados em 13 Declarações de Importação. Além dos crimes de descaminho e sonegação fiscal, a PF agora investiga possíveis casos de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
As empresas envolvidas estão sob risco de ter seus CNPJs baixados e podem ser banidas de atuar no comércio exterior. Durante a operação, foram apreendidos computadores, celulares e documentos, que serão analisados para identificar se há outros envolvidos no esquema. Essa ação conjunta destaca a importância da fiscalização e da cooperação entre as autoridades para combater a fraude e a sonegação fiscal no Brasil.
Fonte: tnonline.uol.com.br










