Em meio aos debates sobre o futuro econômico do Brasil, um consenso emerge: a necessidade de crescimento. No entanto, a busca incessante por “escalabilidade” no setor privado levanta uma questão crucial: o que resta quando o crescimento meteórico desacelera? Essa obsessão por indicadores de curto prazo, como receita e lucro, ignora a importância da longevidade e da gestão de riscos.
A história empresarial está repleta de exemplos de empresas que ascenderam rapidamente apenas para desaparecerem com a mesma velocidade. Crescimento sustentável exige maturidade nos processos, um equilíbrio entre risco e retorno, e o reconhecimento de que o passado é apenas um guia, não uma garantia do futuro.
Nesse cenário, as empresas familiares brasileiras, frequentemente negligenciadas, emergem como um pilar fundamental da economia. Representando entre 60% e 80% do PIB e do emprego, elas demonstram uma resiliência notável, atuando como um amortecedor em tempos de volatilidade econômica. “Elas mantêm empregos e garantem continuidade quando o resto do sistema oscila muito mais fortemente”, destaca Fábio Frezatti, professor da FEA-USP.
A singularidade das empresas familiares reside em seu desejo de preservar a propriedade para as futuras gerações, gerando estabilidade em um ambiente incerto. A riqueza socioemocional, que combina objetivos econômicos com valores familiares, molda a governança e as decisões, tornando a gestão mais complexa, porém mais resiliente.
Modelos de crescimento para empresas familiares precisam considerar a influência dos fundadores e herdeiros, que moldam os estágios do negócio e constroem controles baseados na confiança familiar. Ignorar as particularidades dessas empresas pode levar a destruição de valor e falhas na sucessão. A sucessão, aliás, é um tema central: negligenciá-la é comprometer a sustentabilidade futura.
Apesar da diversidade, as empresas familiares tendem a ser mais estáveis, desempenhando um papel crucial na sustentação do crescimento de longo prazo. Como Frezatti questiona, “No fundo, elas ainda estão aqui. Mas, realisticamente, até quando?” A valorização e o apoio a essas empresas são essenciais para garantir sua continuidade e sua contribuição para a economia brasileira.










