O Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Norte iniciou, na última quinta-feira (27), a delicada operação de remoção do Baobá do Poeta, árvore símbolo localizada na Avenida São José, em Lagoa Seca, Natal. A medida drástica foi determinada pela Defesa Civil, após a interdição de imóveis vizinhos devido ao crescente risco de desprendimento de galhos, que colocavam em perigo a segurança da área.
Nos últimos meses, a situação da árvore se agravou com quedas frequentes de partes da estrutura. Em meados de novembro, novos incidentes levaram à interdição de pelo menos cinco propriedades próximas, evidenciando a urgência de uma intervenção. Episódios semelhantes já haviam ocorrido, incluindo a queda de um grande galho durante o período chuvoso de maio, o que motivou diversas avaliações técnicas.
O Baobá do Poeta possui um significado especial para Natal, resistindo à especulação imobiliária que ameaçou sua existência. O advogado e escritor Diógenes da Cunha Lima, proprietário do terreno, adquiriu a área em 1991 com o propósito de preservar a árvore, evitando que fosse derrubada para a construção de um edifício.
A origem do Baobá do Poeta, com seus imponentes 19 metros de altura e tronco de seis metros de diâmetro, é envolta em mistério e diferentes teorias. Diógenes da Cunha Lima compartilha algumas das hipóteses: “Uma das hipóteses é a de que Maurício de Nassau teria trazido o baobá para o Brasil ao tentar implantar um jardim botânico no Nordeste”. Outras versões apontam para a chegada das sementes através de escravizados ou aves migratórias.
Curiosamente, Diógenes também levanta a possibilidade de que o baobá potiguar possa ter inspirado Antoine de Saint-Exupéry, autor de “O Pequeno Príncipe”, durante sua passagem por Natal. A remoção da árvore, embora necessária por questões de segurança, marca o fim de um ciclo e suscita reflexões sobre a importância da preservação ambiental e do patrimônio histórico-cultural.
Fonte: http://agorarn.com.br










