O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), intensificou a análise sobre o estado de saúde do general da reserva Augusto Heleno, detido por suposta participação em atos golpistas. Moraes concedeu um prazo de cinco dias para que a defesa do ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) apresente documentos que atestem o diagnóstico de Alzheimer alegado. A determinação surge em meio a questionamentos sobre a veracidade e a consistência das informações apresentadas.
Heleno, de 78 anos, informou durante o exame de corpo de delito, procedimento padrão após a prisão, que convive com a doença desde 2018. No laudo médico-legal, o general declarou ser portador de “Demência de Alzheimer em evolução desde 2018”, mencionando perda de memória recente, hipertensão, prisão de ventre e o uso de múltiplos medicamentos. O exame de corpo de delito visa registrar as condições físicas do detido no momento da prisão, garantindo seus direitos e protegendo o Estado.
Moraes questionou a ausência de comunicação do diagnóstico ao serviço médico da Presidência da República ou a outros órgãos oficiais durante o período em que Heleno ocupou o cargo de ministro, entre 2019 e 2022. Além disso, o ministro ressaltou que, em interrogatório judicial em junho de 2025, Heleno respondeu a perguntas da defesa sem mencionar quaisquer limitações cognitivas. Essa omissão levanta dúvidas sobre a consistência da alegação de Alzheimer.
Diante das inconsistências apontadas, Moraes exigiu a apresentação de documentos comprobatórios. Especificamente, solicitou o exame inicial de 2018 que teria identificado a demência mista (Alzheimer e vascular), acompanhado dos respectivos prontuários. O ministro também requisitou registros de consultas médicas e a identificação dos profissionais de saúde que acompanharam a evolução do quadro desde então. A comprovação do diagnóstico será crucial para determinar os próximos passos no caso envolvendo o general Heleno.
“O exame de corpo de delito é um procedimento padrão para registrar as condições físicas do preso no momento da detenção”, diz o Agora RN, veículo que originalmente publicou a matéria. A investigação de Moraes busca esclarecer se a condição de saúde alegada por Heleno é compatível com suas ações e declarações em momentos cruciais, como durante o período em que exerceu funções de alta responsabilidade no governo federal.
Fonte: http://agorarn.com.br










