O Conselho Regional de Psicologia da 19ª Região (CRP19) formalizou denúncia ao Ministério Público de Sergipe (MPSE) e ao Ministério Público do Trabalho (MPT/SE) sobre as condições de atendimento na unidade TEA (Transtorno do Espectro Autista) da Hapvida em Aracaju. A ação foi motivada por relatos e constatações de irregularidades que comprometem a qualidade do serviço prestado a pacientes com TEA. A Comissão de Orientação e Fiscalização (COF) do CRP19 acompanha a situação desde abril de 2024.
As primeiras inspeções revelaram um cenário preocupante, com psicólogos dividindo o mesmo espaço físico com outros profissionais de saúde durante os atendimentos. “As visitas iniciais, que começaram no final de abril de 2024, revelaram que psicólogas(os) estavam dividindo salas com outros profissionais da saúde, cada profissional atendendo seu paciente em um mesmo ambiente”, relatou Luciana Oliveira de Jesus, psicóloga analista técnica do CRP19. Essa falta de privacidade foi confirmada por pais de pacientes.
Além do compartilhamento inadequado de salas, o CRP19 identificou restrições à autonomia dos profissionais na gestão de horários e agendamentos, o que impacta diretamente na qualidade do acompanhamento psicológico. Diante dessas constatações, a COF determinou a suspensão imediata do compartilhamento de salas e exigiu melhorias nas condições de trabalho, medidas que, segundo o Conselho, não foram devidamente implementadas.
Apesar de uma reunião realizada em junho de 2024 com representantes da Hapvida, onde ficou acordada a regularização da situação em 30 dias, as fiscalizações subsequentes constataram a persistência dos problemas. A última inspeção, realizada em 15 de maio de 2025, confirmou que as condições inadequadas permanecem sem solução, levando o CRP19 a acionar o MPSE e o MPT/SE.
“O Conselho Regional de Psicologia monitora de perto as condições de atendimento para assegurar que as normas profissionais sejam cumpridas”, afirmou Adriano Barros, Conselheiro Presidente do CRP19. O objetivo é garantir um padrão de qualidade sustentável para os serviços de psicologia oferecidos pela rede Hapvida, assegurando respeito aos profissionais e aos usuários.
Em nota, a Hapvida se colocou à disposição dos órgãos competentes para prestar esclarecimentos e reafirmou seu compromisso com um atendimento humanizado e centrado nas necessidades dos pacientes com TEA. A empresa destacou que seus protocolos seguem diretrizes baseadas em evidências científicas reconhecidas internacionalmente, com foco no estímulo às habilidades sociais dos pacientes.
Fonte: http://infonet.com.br





