Em meio à intensa programação da COP30, realizada em Belém, um espaço se destacou não apenas pela oferta de alimentos, mas pela mensagem que transmitia: o Restaurante da Sociobio. Situado na Zona Azul, o restaurante serviu 52 mil refeições preparadas com ingredientes da agricultura familiar local, um feito inédito nas conferências climáticas.
O restaurante, com estrutura similar a um refeitório universitário, atraiu longas filas de participantes de diversas nacionalidades. Por R$ 40, era possível desfrutar de um prato completo, com direito a repetição (exceto nas proteínas), acompanhado de suco e sobremesa. A iniciativa se destacou por oferecer uma alternativa saborosa e alinhada aos princípios da sustentabilidade.
“A receptividade foi incrível”, comemora Luis Carrazza, secretário-executivo da cooperativa Central do Cerrado, responsável pelo projeto em parceria com a Rede Bragantina. Ele explica que a concepção do restaurante se baseou em três pilares: alimentação saudável, sustentável e solidária, demonstrando que é possível nutrir pessoas e o planeta simultaneamente.
O Restaurante da Sociobio empregou diretamente 85 pessoas e contou com o apoio de mais de 50 organizações de agroecologia como fornecedoras. Ao todo, foram adquiridas 100 toneladas de alimentos, impulsionando a economia local e valorizando a produção familiar. O nome do restaurante faz referência à sociobioeconomia, conceito que valoriza a floresta em pé e as comunidades que a protegem.
“Para nós, esse conceito é sobre ter todo um conjunto de produção que valoriza a floresta em pé. E, ao valorizar a floresta em pé, valoriza aquelas pessoas que produzem dessa forma”, explica Kamyla Borges, do Instituto Clima e Sociedade. A presença do restaurante na COP30 reforça a importância das escolhas alimentares no contexto da crise climática.
Entre os pratos oferecidos, destacaram-se ingredientes regionais como pirarucu, cordeiro, búfalo da ilha do Marajó, suco de cupuaçu e doce de umbu. “A diversidade do cardápio refletia muito do que é a riqueza das culturas alimentares brasileiras”, ressalta o antropólogo Maurício Alcântara, cofundador do Instituto Regenera.
A iniciativa Na Mesa da COP30, articulada por Alcântara, garantiu que ao menos 30% dos alimentos servidos em todos os espaços oficiais da conferência fossem provenientes da agricultura familiar. A produtora rural Maria Jeanira Pereira, da associação Pará Orgânico, expressa a esperança de que os restaurantes de Belém continuem priorizando os pequenos agricultores após a COP30.
Maria Jeanira Pereira ainda expressa, “Isso para fortalecer os pequenos agricultores, porque muitas vezes a gente tem um produto e não tem um espaço de comercialização”, a agricultora reitera a importância da continuidade do projeto para a economia local. A iniciativa na COP30 demonstrou o potencial da agricultura familiar como solução para sistemas alimentares mais sustentáveis e inclusivos.










