A novela da duplicação da BR-101 em Sergipe, Alagoas e Bahia completa 28 anos de promessas não cumpridas, desde que Eliseu Padilha, então ministro dos Transportes, no governo Fernando Henrique Cardoso, prometeu a conclusão da obra até o ano 2000. A saga se estende por décadas, marcando um histórico de frustrações para a população local.
Em 2009, o então presidente Lula, em visita a Sergipe, firmou compromissos com o governador Marcelo Déda para impulsionar a obra, incluindo a construção da ponte Joel Silveira e a duplicação de um trecho de 53 quilômetros até a Bahia. Em entrevista, Lula chegou a cravar a finalização para julho de 2010, um prazo que, como tantos outros, não se concretizou.
Atualmente, a duplicação enfrenta entraves em trechos específicos, como os cerca de 10 quilômetros em Carmópolis e seis quilômetros em Maruim. Em Pedra Branca, a situação é ainda mais emblemática: uma segunda ponte sobre o Rio Sergipe, pronta há uma década, permanece inutilizada, um símbolo do abandono e desperdício de recursos públicos.
A BR-101, uma das maiores rodovias do Brasil, viu sua duplicação concluída apenas em alguns estados. Em Sergipe, a obra atravessou diversos governos, de Albano Franco a Fábio Mitidieri, com avanços lentos e interrupções constantes. A pergunta que paira no ar é: será que, finalmente, a duplicação sairá do papel?
Inúmeras tentativas de destravar a obra foram feitas ao longo dos anos. Em 2012, a então ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, visitaram trechos em construção, buscando agilizar os trabalhos. Em 2017, o governador Jackson Barreto, o presidente Michel Temer e o ministro Maurício Quintella assinaram a retomada das obras, gerando mais uma onda de expectativas.
Até mesmo o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou um número alarmante de obras paralisadas no país, incluindo a pavimentação e duplicação de rodovias. Apesar de novas promessas e investimentos anunciados pelo atual governo, a população sergipana permanece cética, aguardando a concretização de um projeto que se arrasta por quase três décadas.
Mais recentemente, o ministro dos Transportes, Renan Filho, prometeu para 2025 a continuidade das obras e a licitação da duplicação do trecho Sul da BR-101/SE. Resta saber se, desta vez, a promessa se transformará em realidade, aliviando o sofrimento dos usuários e impulsionando o desenvolvimento da região.
*Marcos Cardoso é jornalista e autor de livros sobre jornalismo, romance e história.*
Fonte: http://infonet.com.br










