Afegão que atirou em soldados nos EUA tinha histórico com a CIA e problemas mentais


Rahmanullah Lakanwal, envolvido com unidade acusada de brutalidade, enfrentava dificuldades emocionais após sua atuação no Afeganistão.

Afegão que atirou em soldados nos EUA tinha histórico com a CIA e problemas mentais
Rahmanullah Lakanwal, acusado de atirar em soldados nos EUA. Foto: Nathan Howard/Reuters

Rahmanullah Lakanwal, refugiado afegão, atirou em dois membros da Guarda Nacional; seu histórico com a CIA e problemas mentais são destacados.

Afegão que atirou em soldados nos EUA tinha histórico com a CIA

Rahmanullah Lakanwal, refugiado afegão de 29 anos, é acusado de ter atirado em dois membros da Guarda Nacional em Washington. O incidente ocorreu em um momento em que ele lutava contra problemas de saúde mental, decorrentes de sua experiência em uma unidade militar que colaborou com a CIA durante a guerra no Afeganistão.

Lakanwal e sua ligação com a Unidade Zero

Lakanwal fez parte da Unidade Zero, uma força paramilitar acusada de brutalidade e envolvida em operações controversas durante a guerra. Segundo informações de um amigo, Lakanwal enfrentava uma pressão psicológica intensa devido ao seu trabalho e as ações violentas de sua unidade. Essa força era chamada de “esquadrão da morte” por diversas organizações de direitos humanos, que denunciavam seus métodos extremos.

O contexto da imigração afegã

Após a retirada das tropas dos EUA em agosto de 2021, muitos afegãos que colaboraram com as forças americanas foram realocados para os Estados Unidos. Lakanwal foi um desses indivíduos, tendo sido trazido sob a justificativa de seu trabalho anterior com a CIA em Kandahar. O diretor da CIA, John Ratcliffe, declarou que Lakanwal “nunca deveria ter sido autorizado a vir para cá”, levantando questões sobre o processo de imigração e os critérios utilizados para a entrada de ex-combatentes no país.

Problemas de saúde mental e consequências

O amigo de Lakanwal, identificado apenas como Muhammad, afirmou que o ex-combatente estava perturbado pelas mortes que presenciou e pelas operações em que participou. Ele começou a desenvolver problemas de saúde mental e, segundo Muhammad, não conseguia lidar com as experiências traumáticas de sua vida como soldado. Muhammad também mencionou que Lakanwal começou a usar maconha e enfrentou dificuldades em sua vida pessoal, incluindo um divórcio recente.

Reações e implicações

As autoridades do Talibã criticaram as ações das Unidades Zero e afirmaram que muitos de seus membros fugiram para os EUA em busca de uma vida melhor, mas também como traidores. A CIA, por sua vez, nega as acusações de brutalidade, atribuindo-as a propaganda do Talibã. O caso de Lakanwal levanta importantes questões sobre a responsabilidade e a supervisão na realocação de ex-militares afegãos que colaboraram com as forças dos EUA. Esta situação revela não apenas os desafios enfrentados por esses indivíduos, mas também a complexidade da política de imigração dos Estados Unidos em relação a ex-combatentes.

Conclusão

O caso de Rahmanullah Lakanwal é um exemplo claro das dificuldades enfrentadas por muitos refugiados afegãos que contribuíram para os esforços militares dos EUA. Sua experiência ilustra como a guerra pode ter um impacto duradouro na saúde mental de indivíduos e como as políticas de imigração podem ter consequências inesperadas e perigosas. À medida que mais informações surgem, a sociedade deve examinar como apoiar aqueles que, após servirem em conflitos, buscam uma nova vida em um país diferente.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Nathan Howard/Reuters


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