Empresas buscam contornar restrições de chips dos EUA com data centers no Sudeste Asiático

Alibaba e ByteDance treinam inteligência artificial fora da China para acessar chips da Nvidia e contornar restrições dos EUA.
Alibaba e ByteDance treinam IA fora da China
O treinamento de IA fora da China tornou-se uma estratégia crucial para empresas como Alibaba e ByteDance, dona do TikTok. Eles buscam acessar chips de alta capacidade da Nvidia, fundamentais para o desenvolvimento de tecnologias avançadas. Com as restrições impostas pelo governo dos EUA desde abril, que limitaram a venda de semicondutores para a China, essas empresas se voltaram para data centers em Singapura e Malásia, onde a infraestrutura tecnológica é mais robusta.
Aumento da infraestrutura de data centers no Sudeste Asiático
O Sudeste Asiático, especialmente Singapura e Malásia, tem visto um crescimento significativo no número de data centers. Esses locais oferecem acesso a chips de alta qualidade, semelhantes aos utilizados por grandes grupos de tecnologia nos EUA. Esse movimento é uma resposta direta à necessidade de melhores recursos computacionais, permitindo que os programadores chineses treinem modelos de linguagem mais avançados.
Impacto das restrições de chip na tecnologia chinesa
As empresas chinesas, como Alibaba e ByteDance, têm visto um aumento constante na utilização de data centers fora da China. A decisão da administração Trump de restringir a venda de chips da Nvidia foi um ponto de virada. Com isso, a escolha por data centers em países como Singapura não é apenas uma opção, mas uma necessidade estratégica. O modelo Qwen da Alibaba e o Doubao da ByteDance se destacam como alguns dos modelos de linguagem de melhor desempenho no mercado global, demonstrando a eficácia dessa abordagem.
Como funcionam os contratos de locação de data centers
Essas empresas normalmente assinam contratos de locação para utilizar data centers que são de propriedade e operados por entidades não chinesas. Essa prática se alinha com os controles de exportação dos EUA, que buscam limitar a transferência de tecnologias sensíveis para a China. A regra de difusão, que poderia ter fechado essa brecha, foi descartada anteriormente, permitindo que essas transações continuem a ocorrer.
Inovação local e desenvolvimento de chips
Embora as grandes empresas chinesas estejam utilizando data centers no exterior, a DeepSeek, uma fabricante de IA, está investindo na construção de um cluster considerável de chips da Nvidia dentro da China. Isso demonstra que ainda há espaço para inovação e desenvolvimento local, apesar das restrições internacionais. A colaboração com fabricantes de chips domésticos, como a Huawei, também está em andamento para otimizar a próxima geração de chips de IA.
Desafios da privacidade e transferência de dados
Um dos principais desafios para as empresas de tecnologia chinesas é a proibição de transferir dados privados para fora do país. Para personalizar modelos de IA com base em dados locais, o treinamento deve permanecer na China, o que limita a flexibilidade das empresas em expandir seus serviços globalmente. Apesar disso, Alibaba e ByteDance estão ativamente buscando maneiras de aumentar sua participação no mercado de computação em nuvem, utilizando data centers em várias regiões, incluindo o Oriente Médio.
Conclusão
A estratégia de treinar IA fora da China por empresas como Alibaba e ByteDance é um reflexo das mudanças dinâmicas no cenário tecnológico global, onde as restrições de chips dos EUA forçam uma adaptação contínua. A busca por melhores recursos tecnológicos e a necessidade de atender a uma clientela global são fatores essenciais que moldam o futuro da inteligência artificial no cenário internacional.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Pedro Pardo/AFP










