Ministro da Fazenda defende reestruturação e ressalta importância dos serviços postais

Fernando Haddad descarta privatização dos Correios e fala sobre plano de reestruturação da estatal.
Haddad descarta privatização dos Correios e destaca plano de reestruturação
Fernando Haddad, ministro da Fazenda, descartou a possibilidade de privatizar os Correios durante uma entrevista ao canal Globonews na quarta-feira, 26 de novembro de 2025. “Não vejo um debate dentro do governo sobre privatizar”, afirmou o ministro, ressaltando a importância da reestruturação da estatal que, segundo ele, passa por um momento crítico.
Haddad explicou que qualquer apoio financeiro do Tesouro Nacional à estatal dependerá da execução de um plano de reestruturação, já que a empresa enfrenta 12 trimestres consecutivos de prejuízo. Um dos principais elementos desse plano é a proposta de um empréstimo de R$ 20 bilhões com um consórcio de bancos, um passo necessário para garantir a viabilidade da operação dos Correios.
O ministro mencionou que encomendou estudos comparativos sobre serviços postais em todo o mundo, os quais revelam as dificuldades que os países enfrentam ao considerar a privatização desses serviços essenciais. “É muito difícil um Estado nacional abrir mão dos serviços postais, até porque parte deles é subsidiada para garantir a universalização”, pontuou Haddad.
Além disso, o ministro destacou que a tendência observada em outros países é a de ampliar o escopo das estatais postais, incorporando serviços financeiros e previdenciários para garantir a sustentabilidade do serviço postal universal. “O que tem acontecido no mundo é agregar aos serviços postais outros serviços de natureza financeira, previdenciária, securitária, para dar sustentabilidade para um serviço postal universal, e é o que estamos discutindo”, explicou.
Os dados financeiros mais recentes indicam uma deterioração significativa da situação da empresa. No primeiro semestre de 2025, o prejuízo superou o total negativo de 2024, quando os Correios fecharam o ano com uma perda de R$ 597 milhões. A proposta de reestruturação, que inclui o empréstimo de R$ 20 bilhões, foi aprovada internamente e está sendo encaminhada ao Ministério da Fazenda e ao Tesouro Nacional, embora ainda dependa de aprovação governamental.
Haddad reforçou que a equipe econômica só dará sinal verde quando houver segurança em relação à execução do plano. “Não há como o Tesouro Nacional pensar em algo que não passe por um plano de reestruturação aprovado pelo Tesouro Nacional, que é de quem se pede o aval para viabilizar esse plano”, declarou. Ele também afirmou que o impacto fiscal em 2025 foi gerenciado dentro das regras vigentes, sendo absorvido pelo arcabouço fiscal.
O ministro acredita que houve progresso na comunicação com a atual administração da empresa. “Penso que tem havido uma evolução satisfatória da atual diretoria; eles entendem o desafio que está presente, e a interlocução com o Tesouro é a melhor possível”, disse Haddad. De acordo com dados do Tesouro Nacional, os Correios estão entre as estatais com risco fiscal relevante, o que intensifica a pressão por ajustes necessários na governança e nas contas da empresa.
Na terça-feira, 25 de novembro de 2025, o ex-diretor financeiro e ex-presidente interino dos Correios, Heglehyschynton Valério Marçal, afirmou que não há mais solução viável para a recuperação das contas da empresa, prevendo uma quebra inevitável. Essa declaração ressalta a urgência de ações efetivas para reverter a situação crítica enfrentada pelos Correios.










