Apesar de limitações, especialistas defendem a importância do toque retal na detecção precoce da doença.

Especialistas ressaltam a importância do exame de toque na detecção de câncer de próstata, apesar de métodos mais modernos.
Exame de toque é essencial para diagnóstico de câncer de próstata
O exame de toque, apesar de ser frequentemente questionado, continua a ser uma etapa crucial na detecção do câncer de próstata. Especialistas afirmam que, mesmo com a disponibilidade de métodos mais avançados, como a ressonância magnética, o toque retal é indispensável para identificar tumores que podem não apresentar alterações no PSA (Antígeno Prostático Específico).
O antropólogo Fred Lúcio, que recentemente enfrentou uma elevação do PSA, exemplifica bem a importância dessa prática. Após realizar uma ressonância magnética que revelou alterações, o toque retal não identificou nada. Contudo, a confirmação do câncer veio através de uma biópsia. Essa combinação de exames foi vital para um diagnóstico precoce.
Limitações da ressonância magnética e a realidade do exame de toque
Embora a ressonância magnética prostática seja considerada mais precisa, o seu uso em larga escala não é viável, tanto no sistema público quanto no privado. Segundo o urologista Reinaldo Uemoto, muitos homens buscam alternativas ao exame de toque, mas a realidade financeira impede que a ressonância seja utilizada como método de rastreamento generalizado. Portanto, o exame de sangue PSA e o toque retal permanecem como o padrão ouro para a detecção do câncer de próstata.
O rastreamento deve ser iniciado aos 50 anos, ou aos 45 anos nos casos de histórico familiar ou outros fatores de risco. Estima-se que cerca de 80% dos diagnósticos sejam feitos pelo PSA, enquanto 20% dependem exclusivamente do exame de toque. Ignorar essa etapa pode resultar na perda de oportunidades de diagnóstico.
O tabu do exame de toque e a masculinidade
Uma das barreiras enfrentadas na aceitação do exame de toque é o estigma associado à virilidade masculina. Muitos homens interpretam o exame como uma invasão, o que gera resistência. Uemoto explica que, ao esclarecer como o exame é realizado, a aceitação tende a aumentar. O toque é um procedimento rápido, que dura entre 15 e 20 segundos, e é feito com o dedo indicador, utilizando um gel lubrificante para minimizar o desconforto.
Diagnóstico precoce e opções de tratamento
Após ser diagnosticado, Fred teve três opções de tratamento. Ele optou pela cirurgia robótica para remover o tumor antes que se espalhasse. A escolha foi crucial, pois o diagnóstico precoce permitiu a remoção do câncer antes que causasse danos maiores. É essencial que os homens estejam atentos aos sinais do corpo e busquem orientação médica regularmente.
Conclusão
O exame de toque retal é uma prática fundamental para a detecção do câncer de próstata, e deve ser considerado com seriedade. Apesar das inovações na medicina, o toque continua a ser uma ferramenta valiosa na luta contra a doença, e a conscientização sobre sua importância é vital para aumentar as taxas de diagnóstico precoce e tratamento bem-sucedido.
Fonte: www1.folha.uol.com.br










