Dados revelam uma queda significativa na convivência após episódios de violência, sugerindo mudanças no ciclo de violência doméstica

Pesquisa revela que cerca de 4 milhões de mulheres ainda convivem com seus agressores no Brasil, embora a taxa tenha caído significativamente.
Quase 4 milhões de mulheres convivem com agressores no Brasil
A pesquisa mais recente revela que cerca de 4 milhões de mulheres convivem com seus agressores no Brasil. Essa informação foi divulgada pela nova edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo DataSenado e pela Nexus. Em 2025, a taxa de mulheres que permanecem vivendo com seus agressores caiu de 32% em 2011 para 17%, sinalizando uma possível mudança no ciclo da violência doméstica.
Queda na convivência com agressores
O estudo aponta que atualmente 3,9 milhões de brasileiras vivem com quem as agrediu, o que representa uma redução em relação aos anos anteriores. Enquanto em 2007, 26% das entrevistadas afirmavam morar com seus agressores, hoje apenas 12% das vítimas continuam residindo com eles. Além disso, 4% mantêm algum tipo de convivência, mesmo sem compartilhar o mesmo espaço.
Diferenças por faixa etária e religião
A pesquisa também destaca diferenças notáveis conforme a faixa etária das mulheres. Entre aquelas com mais de 50 anos, 16% ainda vivem com seus agressores. Esse índice reduz para 11% entre mulheres de 30 a 49 anos e para apenas 9% entre as jovens de 16 a 29 anos. Quando analisadas em termos de religiosidade, 14% das mulheres católicas e 13% das evangélicas ainda convivem com seus agressores, em comparação a 8% das mulheres sem religião.
A natureza das agressões
Os dados reforçam a centralidade das relações afetivas na violência contra a mulher. Em 2025, 70% das agressões graves foram cometidas por maridos, companheiros ou namorados. Essa proporção aumentou em relação aos anos anteriores, onde era de 58% em 2023 e 56% em 2021. Por outro lado, a pesquisa também revela uma crescente ruptura dos relacionamentos após atos de violência: em 79% dos casos envolvendo maridos, o agressor é atualmente um ex-parceiro. Entre namorados, essa taxa chega a impressionantes 92%.
Implicações para políticas públicas
Marcos Ruben de Oliveira, coordenador do DataSenado, comenta sobre os dados, afirmando que a redução na convivência direta entre vítimas e agressores, juntamente com o aumento das separações após episódios de violência, sugere um afastamento mais frequente e um rompimento de ciclos prolongados de dependência. Essa pesquisa, que ouviu 21.641 mulheres com 16 anos ou mais, é um importante referencial para políticas públicas voltadas à proteção das mulheres. Criada em 2005, a pesquisa ajudou a subsidiar a elaboração da Lei Maria da Penha, um marco na luta contra a violência doméstica no Brasil.
Conclusão
A nova edição da pesquisa é um sinal de esperança, indicando que, embora a violência contra a mulher ainda seja um problema estrutural e persistente, as tendências apontam para uma mudança na dinâmica das relações afetivas e no reconhecimento da necessidade de romper com ciclos de violência. A luta continua, mas os dados oferecem uma perspectiva de mudança e conscientização crescente na sociedade.
Fonte: redir.folha.com.br
Fonte: Mônica Bergamo





