Paula Fabiani, CEO do IDIS, discute a resistência a inovações no setor filantrópico durante seminário na USP

A filantropia brasileira é cautelosa em investimentos, mas na ciência, assumir riscos é crucial, afirma Paula Fabiani.
Filantropia brasileira e o medo do risco
A filantropia brasileira demonstra uma aversão a riscos, optando frequentemente por investimentos em projetos que já acumularam evidências de sucesso. Esta abordagem, segundo Paula Maria de Jancso Fabiani, CEO do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), pode ser problemática, especialmente no campo científico. Fabiani participou do 2º Seminário Internacional “Ciência encontra Filantropia: Filantropia no Ecossistema Brasileiro da Ciência”, realizado na Universidade de São Paulo (USP) na última segunda-feira (24).
A importância de assumir riscos na ciência
Fabiani ressaltou que, embora muitos filantropos tenham o desejo de inovar e promover mudanças, essa inovação muitas vezes requer a disposição para correr riscos. “Muitas vezes até empresários que correm muitos riscos em seus negócios quando vão para filantropia querem investir em um projeto que já sabem que dá certo”, afirmou. A executiva mencionou suas dificuldades em captar recursos para aprovar uma lei, destacando que o apoio financeiro é crucial antes da confirmação do sucesso do projeto.
Desafios enfrentados pelos doadores
A necessidade de doadores dispostos a correr riscos é ainda mais evidente na filantropia científica, onde muitos experimentos falham antes de alcançar resultados positivos. “Para chegar em um experimento que dá certo, muitas vezes você tem vários que não vão funcionar, mas que podem solucionar desafios muito importantes da nossa sociedade”, enfatizou Fabiani.
A visão de Hugo Aguilaniu
O diretor-presidente do Instituto Serrapilheira, Hugo Aguilaniu, também presente no seminário, destacou a importância da tolerância ao risco na filantropia científica. Ele observou que muitos potenciais doadores hesitam em investir na ciência devido à percepção de que a produção de conhecimento é distante da população. Aguilaniu argumentou que a ciência deve ser vista como uma força estabilizadora, especialmente em tempos de instabilidade política, como foi visto no Brasil sob o governo Jair Bolsonaro.
A necessidade de regulação e colaboração
Francilene Procópio Garcia, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), sugeriu que a regulação poderia facilitar a atração de investimentos privados para a ciência, proporcionando segurança jurídica às doações. Victor Piana, diretor-geral do A.C.Camargo Cancer Center, acrescentou que as instituições científicas precisam colaborar mais e competir menos para serem vistas como um grupo coeso e de alta performance pelos filantropos. Ele destacou que, para atrair doações, é necessário criar uma rede de transparência que ajude na compreensão do ecossistema científico.
Conclusão
O seminário serviu para evidenciar a necessidade urgente de uma mudança de mentalidade na filantropia brasileira, especialmente no que tange ao investimento em ciência. A disposição para assumir riscos pode ser a chave para fomentar inovações que beneficiem a sociedade como um todo.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Allison Sales/Folhapress










