Manifestantes se reúnem em frente à Escola Antônio Bento em defesa da educação antirracista

Protesto em São Paulo contra a entrada de PMs armados em escola gera manifestações de pais e alunos.
Protestos em São Paulo destacam a educação antirracista
Na terça-feira (25), manifestantes se reuniram em frente à Escola Municipal de Ensino Infantil Antônio Bento, na zona oeste de São Paulo, em um ato contra a invasão de policiais militares armados na unidade. O protesto foi motivado por um episódio que ocorreu no dia 11, quando um sargento da PM, pai de uma aluna, entrou na escola e intimidou a diretora após um desenho feito por sua filha em uma atividade sobre a mitologia dos orixás.
Os participantes, incluindo alunos e pais, expressaram sua indignação com cartazes que diziam “polícia na escola não”. Durante o ato, gritos de apoio à educação antirracista ressoaram, com frases como “Exu, Oyá, Xangô e Iemanjá, queremos a escola cheia de orixás” e “não vai ter PM na escola”. A coordenadora pedagógica Ana Paula Martins destacou a importância do ato para unir a comunidade escolar em defesa de um ambiente educacional seguro e acolhedor.
A invasão policial e suas consequências
A entrada dos policiais na escola foi marcada por um clima de intimidação. Eles questionaram a diretora sobre a atividade que gerou a controvérsia, alegando que teriam recebido uma denúncia sobre a suposta imposição de ensino religioso às crianças. O episódio gerou repercussões significativas, levando à solicitação da Promotoria para que o governo estadual apresentasse imagens das câmeras corporais dos policiais envolvidos. A diretora, após a invasão, pediu licença médica e foi afastada temporariamente devido a problemas de saúde mental.
A gestão estadual, através da Secretaria da Segurança Pública, informou que a Polícia Militar instaurou uma apuração sobre a conduta dos agentes. A professora da unidade registrou um boletim de ocorrência por ameaça contra o pai da aluna, recebendo orientação sobre os procedimentos legais a seguir. A mobilização da comunidade escolar destaca a necessidade de um debate mais amplo sobre a presença da polícia em ambientes educacionais e os impactos do racismo institucional.
O papel da comunidade escolar
O protesto também chamou atenção para a importância da educação antirracista e do respeito à cultura afro-brasileira. O ator Taiguara Chagas, presente no ato, enfatizou que a manifestação busca garantir que episódios como esse não se repitam. Para ele, é essencial que a lei seja cumprida e que a educação respeite a diversidade cultural. A mãe de uma aluna, Ana Paula, reiterou que a atuação da PM foi violenta e desproporcional, ressaltando que a escola deve ser um espaço de acolhimento e aprendizado.
O futuro da escola e sua gestão
Após os eventos, a gestão da escola anunciou que a assistente de direção assumirá interinamente durante o afastamento da diretora. Além disso, a escola receberá acompanhamento de núcleos especializados para garantir o suporte necessário a alunos e educadores. A situação evidencia a importância de um ambiente escolar seguro e respeitoso, onde todos possam expressar suas identidades culturais sem medo de repressão.
Esses eventos em São Paulo instigam um debate urgente sobre a relação entre educação e polícia, especialmente em contextos que envolvem a cultura afro-brasileira, e a necessidade de políticas que promovam um ensino inclusivo e antirracista.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Bruno Santos/Folhapress










