Banco prevê impacto da reforma do Imposto de Renda no fluxo de capital do país

Itaú estima que a nova tributação de dividendos levará à saída de até US$ 35 bilhões do Brasil neste trimestre.
Itaú estima saída de até US$ 35 bilhões com a tributação de dividendos
O Itaú BBA projeta uma saída de capital entre US$ 25 bilhões (R$ 134,3 bilhões) e US$ 35 bilhões (R$ 188 bilhões) do Brasil neste quarto trimestre devido à nova tributação de dividendos. Esta estimativa é significativamente superior à média histórica de saídas anuais de US$ 15 bilhões (R$ 80,9 bilhões).
Desde 1996, os dividendos são isentos de Imposto de Renda, mas essa isenção pode ser alterada com a reforma do Imposto de Renda, que deve ser sancionada pelo presidente Lula (PT) em breve. O projeto de lei estabelece que os lucros e dividendos apurados até 2025 não serão tributados, desde que a distribuição tenha sido aprovada até 31 de dezembro deste ano. Além disso, o pagamento deverá ocorrer até 2028.
As empresas brasileiras de capital aberto acumulam aproximadamente US$ 45 bilhões (cerca de R$ 240 bilhões) em lucros não distribuídos, quantia que deve ser paga aos acionistas até 2028 para que evitem a nova tributação. Estima-se que cerca de 60% desse montante seja destinado a investidores estrangeiros, o que equivale a aproximadamente US$ 27 bilhões.
A avaliação do Itaú considera a debandada de capital observada em 2021, quando a proposta de tributação de dividendos foi aprovada pela Câmara dos Deputados. A expectativa é que a saída de capital neste ano pressione o real, com o banco projetando uma taxa de câmbio de R$ 5,35 ao final de 2025 e R$ 5,50 em 2026. Atualmente, o dólar comercial está cotado a R$ 5,37.
Dessa forma, a tributação de dividendos não somente impactará o fluxo de capital no Brasil, mas também poderá influenciar a economia de maneira mais ampla, afetando a confiança dos investidores e a dinâmica do mercado de câmbio. O cenário se torna ainda mais complexo com a expectativa de mudanças nas políticas fiscais e monetárias em curso, exigindo atenção dos economistas e investidores ao longo dos próximos meses.
A saída de capital, se confirmada, pode trazer desafios adicionais para a economia brasileira, especialmente em um momento em que a recuperação econômica ainda é uma prioridade. Dessa forma, as autoridades devem estar atentas a essas movimentações e considerar estratégias para mitigar os impactos negativos que uma possível desvalorização do real pode ocasionar.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Folhapress










