Em Campo Grande, o consumidor não tem visto o alívio esperado no bolso, mesmo com a arroba do boi em baixa e o aumento da adição de etanol na gasolina. A redução nos custos de produção não tem se traduzido em preços menores nas bombas e nos açougues, gerando questionamentos e frustração. A justificativa dos comerciantes aponta para uma estratégia de “compensação”.
Segundo Régis Comarella, presidente do Sicadems, a prática de não repassar a queda nos preços da arroba do boi serve para equilibrar as finanças dos comerciantes, que seguraram os aumentos em períodos de alta. “Quando o valor da arroba diminui, os frigoríficos repassam a redução para o varejo. No entanto, o mercado final nem sempre repassa essa redução, porque, quando houve alta nos preços, o varejo segurou os aumentos”, explica Comarella.
No caso da gasolina, a explicação do Sinpetro-MS é que o etanol anidro, adicionado em maior proporção, é mais caro que a própria gasolina. “Os preços médios da gasolina em Mato Grosso do Sul não sofreram alterações porque a mistura de 30% do etanol anidro na gasolina em nada afetou o valor do combustível. O etanol anidro é mais caro que a gasolina, então não há por que existir redução”, esclarece Edson Lazarotto, diretor executivo do sindicato.
A reportagem ouviu consumidores, como Renan Moreschy, que considera o etanol a opção mais vantajosa. Já o empresário Ricardo Mourão critica a falta de impacto da mudança na composição da gasolina. “Para mim, aumentou o percentual de etanol, então deveria abaixar o preço da gasolina, mas manteve o mesmo”, reclama.
Alguns comerciantes, como Junior Benites, dono de uma casa de carne, afirmam ter sentido a diferença nos preços da carne, mas ponderam que não é possível repassar a redução de forma imediata. Enquanto isso, consumidores como José Soares de Souza relatam não ter notado nenhuma baixa nos preços dos cortes mais nobres.





