A Polícia Civil de Roraima indiciou a médica M.S.G.V., de 35 anos, por homicídio culposo, após concluir o inquérito sobre a morte da defensora pública Geana Aline de Souza Oliveira, 39 anos. A suspeita é de negligência e imperícia no atendimento que antecedeu o falecimento da defensora, ocorrido após a tentativa de implantação de um DIU em seu consultório particular.
O procedimento, realizado em 18 de março, foi seguido por um quadro de febre alta, dores pélvicas e sinais de infecção progressiva. A delegada Jéssica Muniz Abrantes, responsável pela investigação, ressaltou que o caso exigiu perícias complexas, oitivas e análise minuciosa de prontuários para elucidar as circunstâncias da morte.
A investigação descartou, através de exames laboratoriais e laudos técnicos, as hipóteses iniciais de gravidez ou aborto, que haviam circulado nas redes sociais. “Não havia indícios de gravidez nem de aborto, hipóteses levantadas nos primeiros dias e afastadas por exames laboratoriais e laudos técnicos”, afirmou a delegada Abrantes.
O foco da apuração se concentrou nas condições do procedimento ginecológico e nas condições sanitárias do ambiente onde foi realizado. Laudos periciais apontaram que a vítima desenvolveu uma infecção pélvica grave, evoluindo para necrose dos órgãos reprodutivos e choque séptico, culminando em seu óbito.
Um relatório de inspeção sanitária, conduzido em conjunto com as vigilâncias sanitárias municipal e estadual, revelou falhas graves de esterilização no consultório. Além disso, foi constatado o uso de material de reuso, manipulado por pessoa sem qualificação técnica, aumentando o risco de contaminação. A delegada Abrantes destacou que, mesmo diante do quadro de saúde debilitado da paciente, não houve encaminhamento formal para urgência hospitalar, uma medida crucial em casos suspeitos de infecção grave. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público de Roraima, que dará seguimento ao caso.
Fonte: http://www.folhabv.com.br





