Mãe denuncia hostilidade e falta de apoio ao relatar agressões sofridas pelo filho na escola

Mãe relata que delegado negou racismo após filho ser agredido em escola em Portugal.
Caso de agressão em escola de Portugal levanta preocupações sobre racismo
Recentemente, o caso de um menino brasileiro que sofreu uma amputação parcial de dedos em uma escola em Portugal trouxe à tona o debate sobre racismo em um contexto europeu. A mãe do garoto, Nívia Estevam, relatou que, ao buscar ajuda policial, o delegado negou a existência de racismo e xenofobia no país. Isso ocorreu após ela ter reunido provas das agressões que seu filho vinha sofrendo na Escola Básica de Fonte Coberta, em Cinfães.
Nívia afirmou que, após tomar conhecimento das agressões, decidiu ir à polícia, esperando apoio e orientação. Durante seu depoimento, no entanto, a mulher se sentiu hostilizada. “Ele bateu na mesa e disse que aqui em Portugal não existe racismo nem xenofobia”, relatou em entrevista ao programa “Fantástico” da TV Globo. Essa atitude do delegado não apenas a deixou desamparada, mas também levantou dúvidas sobre a disposição das autoridades locais em lidar com questões de discriminação.
O incidente que resultou na amputação
O incidente que culminou na amputação dos dedos do menino ocorreu em 10 de novembro. Segundo relatos, duas crianças fecharam a porta do banheiro nos dedos do garoto, impedindo-o de sair para pedir ajuda. Ao ser informado sobre o ocorrido, Nívia chegou à escola e encontrou seu filho com a mão ensanguentada e enfaixada. Ele foi rapidamente levado ao Hospital de São João, no Porto, onde passou por uma cirurgia de três horas, mas infelizmente não foi possível reconstituir as pontas dos dedos.
Após o incidente, a professora do menino, que não teve seu nome divulgado, minimizou a gravidade do ocorrido, afirmando que se tratava de um acidente que “poderia ter acontecido com qualquer menino”. Contudo, Nívia enfatizou que não se sentiu apoiada por ninguém na escola, exceto por uma mãe que se preocupou com o estado de seu filho.
A resposta da comunidade e das autoridades
Além da falta de apoio na escola, Nívia relatou que não recebeu qualquer contato do Ministério da Educação ou dos pais das crianças envolvidas. O único retorno oficial que ela teve foi do Consulado do Brasil em Portugal, que ofereceu apoio psicológico e jurídico. Atualmente, a família vive em casa de parentes, temendo por sua segurança e tentando reorganizar sua rotina após o trauma vivido.
A situação levanta questões sérias sobre a forma como o sistema educacional e as autoridades lidam com casos de bullying e agressão, especialmente em contextos que envolvem discriminação racial. O caso está sob investigação pelas autoridades portuguesas, enquanto a família busca entender como proceder diante da adversidade.
Reflexões sobre racismo e xenofobia
A negativa do delegado em reconhecer o racismo em Portugal reflete uma realidade que muitas vezes é ignorada em contextos onde a diversidade cultural é crescente. A experiência de Nívia Estevam e seu filho revela a necessidade urgente de um diálogo mais aberto sobre discriminação e violência em escolas, para garantir que casos como este não se repitam no futuro. A comunidade e os órgãos responsáveis devem se unir para criar um ambiente seguro e acolhedor para todas as crianças, independentemente de sua origem.
Fonte: noticias.uol.com.br





