Um imóvel ocioso e suas histórias no Pacaembu

O antigo Asilo dos Expostos como exemplo de patrimônio sem uso

Um imóvel ocioso e suas histórias no Pacaembu
Antigo Asilo dos Expostos no Pacaembu. Foto: Agência

O Asilo dos Expostos, um patrimônio histórico, permanece ocioso no Pacaembu, gerando debate sobre seu futuro.

O Asilo dos Expostos e sua relevância histórica

O Asilo dos Expostos, localizado na rua Angatuba, 756, no Pacaembu, é um exemplo notável de patrimônio histórico que se tornou um elefante branco. Com uma área total de 46 mil m², o complexo, construído pelo arquiteto Ramos de Azevedo, se destaca não apenas pela sua arquitetura, mas também por sua longa história de uso.

A trajetória do imóvel

Desde sua fundação em 1895, quando foi criado para acolher crianças abandonadas, o Asilo passou por diversas transformações. Na década de 1980, já como unidade da Febem, o local atendeu até 600 menores, mas foi desativado em 1997. Desde então, o imóvel permanece desocupado, gerando altos custos de manutenção estimados em R$ 1,2 milhão por ano.

A aquisição e os desafios enfrentados

Adquirido pela Fundação Faculdade de Medicina da USP em 1998 por R$ 20 milhões, o Asilo se tornou objeto de controvérsia. A compra levantou questões sobre o uso de verbas do SUS e foi acompanhada por ações judiciais. Apesar da aquisição, a instituição nunca conseguiu encontrar uma destinação adequada para o imóvel, que permanece sem ocupação e sem propostas concretas de revitalização.

Propostas de uso e resistência da comunidade

Embora diversas ideias tenham surgido ao longo dos anos, como a proposta de um centro cultural, a pressão da vizinhança tem barrado qualquer tentativa de transformação do espaço. Os moradores apreciam a tranquilidade que a ausência de movimentação gera na área, preferindo que o local permaneça como está, mesmo que isso signifique perder oportunidades de revitalização.

O futuro do Asilo dos Expostos

Atualmente, o Asilo dos Expostos opera de forma limitada, com um estacionamento emergencial funcionando em suas instalações. No ano passado, o imóvel foi colocado em leilão com um lance mínimo de R$ 160 milhões, mas não encontrou interessados. A situação atual levanta questões sobre o que fazer com um patrimônio que poderia ser revitalizado e utilizado em benefício da comunidade, mas que permanece à mercê de sua própria história e das decisões tomadas no passado.

O Asilo dos Expostos, portanto, é mais do que um imóvel ocioso; é um símbolo da complexidade envolvida na preservação do patrimônio histórico e na busca por soluções que atendam tanto às necessidades da comunidade quanto à valorização da história.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Agência