Estudo revela que gestantes que pararam o tratamento apresentaram mais complicações na gravidez

Pesquisa indica que interromper o uso de semaglutida no início da gestação pode levar a complicações e maior ganho de peso.
Uso de semaglutida antes da gravidez e suas implicações
O uso de semaglutida, presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy, por mulheres antes da gravidez tem sido tema de discussão entre profissionais de saúde. Um estudo recente revelou que a interrupção do uso dessas drogas no início da gestação pode levar a complicações significativas. As mulheres que descontinuaram o tratamento apresentaram um ganho de peso médio de 13,7 kg, em comparação com 10,5 kg das gestantes que não utilizaram as medicações anteriormente.
Aumento do risco de complicações na gestação
Além do aumento do ganho de peso, as gestantes que pararam de usar semaglutida ou liraglutida também apresentaram um risco elevado de complicações durante a gravidez, como parto prematuro, diabetes gestacional e hipertensão. Os dados foram coletados de um estudo coordenado por Jacqueline Maya e Camille Powe, publicado na revista Jama, que analisou registros de milhares de gestantes nos Estados Unidos.
Análise dos dados e suas consequências
No estudo, foram avaliadas 448 gestantes que usaram medicamentos antes da gravidez, comparadas a 1.344 que não usaram. O risco de ganho excessivo de peso foi 32% maior entre aquelas que tinham histórico de tratamento com semaglutida. Embora não tenha havido diferença significativa no tamanho dos bebês ao nascer, o peso médio foi maior entre as mães que usaram a droga, indicando possíveis consequências para a saúde fetal.
Efeitos nos embriões e recomendações médicas
Pesquisas pré-clínicas com animais mostraram efeitos tóxicos das moléculas nos embriões, levando a deformações congênitas. Contudo, os dados sobre efeitos em humanos são escassos, levando a recomendações de suspensão do tratamento para evitar riscos potenciais ao feto. A análise incluiu também o percentual de complicações, revelando um aumento de 34% no risco de nascimento prematuro entre as gestantes que usaram essas drogas.
Conclusões do estudo e necessidade de mais pesquisa
As autoras do estudo concluem que, apesar da escassez de dados, a interrupção do uso de semaglutida antes ou no início da gravidez está associada a um maior ganho de peso e risco de complicações. Essa realidade reforça a necessidade de um acompanhamento médico mais rigoroso para mulheres em tratamento com essas medicações. A pesquisa também destaca a falta de orientações clínicas sobre o uso de GLP-1RAs durante a gestação, o que pode impactar a saúde materna e fetal.
Aumento do uso de canetas emagrecedoras no pós-parto
Outro estudo da Dinamarca, publicado na mesma edição da Jama, mostrou um aumento no uso de canetas emagrecedoras como Ozempic e Wegovy entre mulheres no pós-parto. Esse dado reforça a necessidade de uma maior compreensão sobre os efeitos desses medicamentos durante todas as fases da vida reprodutiva. Especialistas recomendam que mulheres com diagnóstico prévio de obesidade ou diabetes busquem orientação médica para um controle adequado durante a gravidez, minimizando riscos para mães e bebês.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
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