Inteligência artificial pode se tornar um Frankenstein moderno, alerta ONU

Volker Türk destaca riscos à privacidade e ao trabalho com o avanço da IA

Inteligência artificial pode se tornar um Frankenstein moderno, alerta ONU
Volker Türk discute a regulamentação da IA. Foto: AFP

Alto comissário da ONU alerta sobre riscos da inteligência artificial à privacidade e direitos humanos.

Inteligência artificial em foco: riscos e desafios

Em uma reunião realizada em Genebra, no dia 24 de novembro de 2025, o alto comissário da ONU para os direitos humanos, Volker Türk, expressou sérias preocupações sobre o impacto da inteligência artificial (IA) generativa. Türk alertou que, sem regulamentações adequadas, essa tecnologia pode se transformar em um verdadeiro “monstro de Frankenstein moderno”, colocando em risco direitos fundamentais como privacidade e participação política.

O dirigente observou que a IA generativa possui um potencial significativo, mas seu uso para fins políticos e econômicos pode resultar em manipulação da informação e distorção da realidade. Segundo Türk, as ameaças à liberdade de expressão e ao direito ao trabalho são claras e precisam ser abordadas urgentemente. Ele afirmou que a falta de garantias pode levar a um cenário onde direitos humanos se tornem as primeiras vítimas do avanço tecnológico.

A necessidade de regulamentação

Türk enfatizou que a responsabilidade recai sobre os governos, que devem se unir para implementar regulamentações eficazes que protejam os cidadãos. Ele destacou que o aumento do poder corporativo e a desigualdade econômica são questões interligadas ao avanço da IA. A concentração de riqueza e poder nas mãos de poucos pode resultar em abusos e na submissão de indivíduos e sociedades inteiras.

“Quando gigantes da tecnologia introduzem novas soluções, como a inteligência artificial, devemos estar cientes de que os direitos humanos podem ser os primeiros a serem comprometidos”, ressaltou Türk. Ele solicitou uma abordagem cautelosa e colaborativa para garantir que as inovações tecnológicas sirvam ao bem comum e respeitem os direitos fundamentais.

Consequências imprevisíveis

O alto comissário da ONU também alertou para as consequências imprevisíveis do uso irresponsável da inteligência artificial. Ele argumentou que, se não forem tomadas as devidas precauções, os danos podem se materializar de formas que minem as promessas das tecnologias emergentes. “A promessa de progresso não pode se transformar em um pesadelo social e ético”, disse Türk.

Além disso, a crescente acumulação de riqueza e poder por parte de algumas corporações está criando um cenário onde a desigualdade se torna ainda mais evidente. Türk observou que, em muitos casos, essa concentração supera as economias de países inteiros, o que gera preocupações sobre a capacidade de governança e regulação eficaz.

Conclusão

Face a essas preocupações, o alto comissário da ONU concluiu que é essencial que os governos e a sociedade civil se mobilizem para criar um ambiente onde a inteligência artificial possa ser desenvolvida e utilizada de maneira ética e responsável. A promoção de direitos humanos deve estar no centro de qualquer discussão sobre a regulamentação da tecnologia, garantindo que o avanço não ocorra em detrimento da dignidade e dos direitos dos indivíduos.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: AFP