Líderes do G20 encerraram, neste domingo na África do Sul, uma cúpula marcada por debates acalorados sobre o futuro da ordem mundial. Em um contexto de crescente fragmentação, impulsionada por tensões geopolíticas, guerras e políticas unilaterais, o multilateralismo emergiu como um ponto central de discussão, com muitos defendendo sua importância vital. A reunião, a primeira do G20 realizada em solo africano, buscou encontrar caminhos para a cooperação em um cenário global cada vez mais complexo.
O evento, no entanto, foi notavelmente impactado pela ausência de figuras-chave, como o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Argentina, Javier Milei. A decisão de Trump de boicotar a cúpula, alegando discordância com as prioridades estabelecidas pela África do Sul, lançou uma sombra sobre a capacidade do G20 de alcançar um consenso global. Essa postura evidenciou as divergências internas que desafiam a unidade do grupo.
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, ressaltou a urgência da situação, afirmando que o mundo não está apenas passando por uma transição, mas sim por uma “ruptura”. Carney alertou para a tendência de diversos países se retraírem em blocos geopolíticos ou adotarem medidas protecionistas, enfatizando a necessidade de construir soluções em vez de ceder à nostalgia.
Apesar dos desafios, o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, defendeu o valor e a relevância do multilateralismo. Em um comunicado conjunto, os líderes presentes reconheceram o contexto de crescente competição, instabilidade e desigualdade, mas reafirmaram seu compromisso com a cooperação. A declaração, no entanto, foi emitida em meio à oposição de Washington a qualquer pronunciamento em nome do G20.
Em contrapartida, o presidente da França, Emmanuel Macron, expressou ceticismo em relação ao futuro do G20, sugerindo que o grupo poderia estar “chegando ao fim de um ciclo”. O G20, que reúne 19 países, a União Europeia e a União Africana, representa 85% do PIB mundial e cerca de dois terços da população global. Sua capacidade de superar as divisões internas e enfrentar os desafios globais será crucial para sua relevância futura.
Fonte: http://odia.ig.com.br










