Pesquisadores afirmam que Cabral chegou ao Rio Grande do Norte, não à Bahia


Estudo propõe nova análise sobre a chegada dos portugueses ao Brasil em 1500

Pesquisadores afirmam que Cabral chegou ao Rio Grande do Norte, não à Bahia
Pesquisadores analisam chegada de Cabral ao Brasil. Foto: Carlos Chesman/Divulgação

Estudo questiona a versão oficial sobre a chegada de Cabral ao Brasil, defendendo um desembarque no Rio Grande do Norte.

Nova hipótese sobre a chegada dos portugueses ao Brasil

A recente pesquisa realizada por físicos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) trouxe à tona uma nova interpretação sobre a chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil. Segundo o estudo, publicado no periódico Journal of Navigation, os portugueses teriam desembarcado inicialmente na costa do Rio Grande do Norte, e não na Bahia, como tradicionalmente se acredita.

Análise da carta de Caminha e dados marítimos

Os pesquisadores, Carlos Chesman e Carlos Furtado, analisaram os dados contidos na carta de Pero Vaz de Caminha e compararam com informações sobre correntes marítimas e ventos do período. “Consideramos datas, localidades, distâncias e profundidades, relacionando isso com os dados que temos sobre ventos e correntes”, explicou Chesman. A carta, datada de 1500, descreve a descoberta de uma “terra nova”, que os autores interpretam como sendo o monte Serra Verde, localizado em João Câmara, e o rio Punaú, que deságua no mar na praia de Zumbi, em Rio do Fogo, a cerca de 72 quilômetros de Natal.

O local do desembarque e suas implicações

A hipótese de que Cabral teria aportado na região da praia do Marco, entre os municípios de São Miguel do Gostoso e Pedra Grande, foi reforçada pelos pesquisadores. O local é conhecido por um marco português de 1501, e intelectuais do estado já defendiam essa teoria há décadas. Chesman ressaltou que essa pesquisa, realizada durante a pandemia, visa reabrir o debate sobre a versão oficial da história.

Reações da comunidade acadêmica

Historiadores como Ana Hutz, da PUC-SP, criticaram a pesquisa, apontando que ela não considera estudos anteriores que também refizeram a rota de Cabral, como o do almirante Max Justo Guedes, publicado em 1975. Para Hutz, a análise deve incluir outras fontes e cartografias que sustentam a versão da chegada na Bahia.

Juliana Gesueli, também da PUC, alertou que, para que novas interpretações sejam aceitas, é necessário um amplo debate e evidências robustas. “Mudanças na história exigem justificativas sólidas e um consenso entre acadêmicos”, afirmou.

A interdisciplinaridade da pesquisa

Os autores da pesquisa defendem que a física pode contribuir significativamente para a história. Eles acreditam que a aceitação do estudo por um periódico respeitado demonstra a relevância da interdisciplinaridade. Chesman afirmou que a ciência deve ser vista como um campo que dialoga com outras áreas do conhecimento.

Conclusão

Embora a pesquisa tenha gerado controvérsias, ela destaca a importância de revisitar narrativas históricas e considerar novas evidências. O debate sobre a chegada dos portugueses ao Brasil continua aberto, e um colóquio científico está sendo organizado para o próximo ano no Rio Grande do Norte, com o intuito de aprofundar essa discussão. A história, como muitos acreditam, deve ser constantemente reavaliada à luz de novas informações e perspectivas.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Carlos Chesman/Divulgação


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