Conflitos aumentam nas favelas e o governo não apresenta soluções efetivas

Sete anos após o fracasso das UPPs, o Rio de Janeiro ainda carece de um plano eficaz para ocupação das favelas.
Sete anos após o fracasso das UPPs, Rio de Janeiro ainda sem plano de ocupação de favelas
Sete anos após o fracasso das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), o Rio de Janeiro ainda enfrenta desafios significativos na ocupação de favelas, especialmente nas comunidades da Penha e do Alemão. A gestão de Cláudio Castro (PL) ainda não apresentou um plano eficaz para responder à crescente violência e à presença do tráfico de drogas, evidenciada pelo aumento de confrontos armados em 2023 e 2024.
Após a operação mais letal da história, que deixou 121 mortos, o governo estadual recusa a ideia de aumentar o policiamento nas áreas afetadas. O programa Cidade Integrada, que combina policiamento com oferta de serviços públicos, já mostra resultados decepcionantes, com aumento dos registros de tiroteios nas comunidades atendidas, como Jacarezinho, Muzema e Rio das Pedras. Dados do Instituto Fogo Cruzado indicam que, mesmo após o início do programa, a violência não diminuiu como prometido.
Embora tenha havido uma leve queda nos tiroteios em 2025, a situação geral nas comunidades ainda é alarmante. Historicamente, as UPPs foram vistas como uma solução para a violência, mas rapidamente se tornaram um símbolo de fracasso. A ausência de um planejamento sustentável levou às UPPs a serem fechadas e fundidas, reduzindo o número de unidades de 38 para apenas 16 em funcionamento.
Críticas ao programa Cidade Integrada
O programa Cidade Integrada, implementado em 2022, tem sido criticado por não conseguir retomar o controle das áreas dominadas por facções criminosas. A falta de critérios claros para avaliar sua eficácia levanta dúvidas sobre sua capacidade de realmente transformar as comunidades. Especialistas, como a professora Jacqueline Muniz, apontam que o crescimento desmedido do programa comprometeu sua implementação e eficácia.
As UPPs foram criticadas por serem vistas como uma solução rápida, mas com pouca preocupação em manter um planejamento de longo prazo. A falta de serviços públicos adequados e a desorganização acabaram permitindo que as facções criminosas recuperassem o controle das favelas. Esses grupos se reorganizaram, enquanto as promessas de segurança se dissiparam.
O futuro da segurança nas comunidades
Atualmente, o governo do estado deve apresentar um novo projeto para as favelas da Penha e do Alemão, esperados até o dia 20 de dezembro, conforme estipulado em um documento que está sob a supervisão do STF. O secretário de Segurança Pública, Victor Santos, declarou que o estado não possui condições de realizar uma ocupação permanente das comunidades, o que gera incertezas sobre o futuro das políticas de segurança no Rio.
Os moradores das favelas, como os da comunidade do Jacarezinho, revelam um descontentamento crescente. Relatos apontam que o CV (Comando Vermelho) ainda domina a região, e a presença policial é mínima, limitando-se à entrada das comunidades. Isso levanta questões sobre a eficácia do Cidade Integrada e a necessidade urgente de uma abordagem mais estrutural e que vá além do policiamento.
Com o aumento dos conflitos e a ausência de um plano efetivo, a população continua a sofrer. As promessas de educação, cultura e projetos sociais muitas vezes se mostram insuficientes e paliativas, sem resolver os problemas estruturais das comunidades. A insegurança, portanto, permanece uma constante na vida dos moradores.
Conclusão
Sete anos após o fracasso das UPPs, o Rio de Janeiro ainda se encontra sem um plano claro para a ocupação das favelas. As promessas de programas como o Cidade Integrada não se concretizaram em soluções duradouras. A falta de um projeto robusto que integre segurança e serviços públicos deixa os moradores vulneráveis e sem perspectivas de mudança. Até que medidas efetivas sejam implementadas, as favelas continuarão a ser um reflexo das falhas nas políticas públicas de segurança e assistência social.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Folhapress










