Participantes de países em guerra discutem como conflitos agravam a mudança climática e vice-versa na conferência em Belém.

Na COP30, países em guerra destacam como conflitos pioram a crise climática e pedem apoio internacional.
Conflitos e crise climática: uma relação complexa
Na COP30, realizada em Belém, países em guerra, como Iémen e Somália, alertaram sobre como conflitos armados agravam a crise climática e vice-versa. A necessidade de discutir a intersecção entre esses temas foi enfatizada por várias delegações, que pediram apoio internacional para lidar com os desafios ambientais impostos pela guerra.
A competição por recursos escassos
Estudos sugerem que a alta temperatura pode intensificar conflitos, estimulando uma competição acirrada por recursos naturais. Ellie Kinney, gerente sênior do Conflict and Environment Observatory, destacou que a mudança climática não espera o fim dos embates. Países como o palestino e o ucraniano enfrentam a difícil tarefa de lidar simultaneamente com os impactos da guerra e da crise climática, que muitas vezes se reforçam mutuamente.
A delegação do Iémen, por exemplo, apontou a escassez de água como um fator que amplifica a violência no país. Da mesma forma, a Somália apresentou dados sobre como as secas forçam a migração de famílias, criando instabilidades propensas a conflitos armados.
Emissões de poluentes em tempos de guerra
Kinney também abordou o impacto ambiental dos conflitos, especialmente as emissões de poluentes geradas por bombardeios e destruição de infraestruturas. Um estudo preliminar da ONU indicou que cerca de 81% das construções em Gaza sofreram danos durante os conflitos. A destruição de redes de esgoto e a contaminação da água potável foram citadas como consequências diretas dos ataques aéreos, que geram não apenas devastação humana, mas também ambiental.
Financiamento para a adaptação climática
Durante a cúpula, diversas delegações enfatizaram a importância do financiamento climático. Países em conflito frequentemente têm dificuldade em atrair investimentos, devido ao temor dos investidores em destinar recursos a economias instáveis. Bashir Mohamed Jama, ministro do Ambiente da Somália, ressaltou que seu país recebe menos de 1% do que necessita para se adaptar às mudanças climáticas. “Nenhum país deveria ser deixado para trás”, afirmou.
Iniciativas de reconstrução e compensação
A Ucrânia, que também participou da conferência, apresentou suas iniciativas verdes para a reconstrução, com foco em energias renováveis. A delegação ucraniana anunciou que buscará US$ 43 bilhões em compensação ambiental da Rússia ao final da guerra, considerando os danos significativos que o conflito tem causado ao meio ambiente. O vice-ministro Pavlo Kartashov destacou que a ofensiva russa gera um “carbono de conflito”, incluindo o uso massivo de concreto e aço, que contribui para a crise climática.
O futuro das discussões climáticas
A COP30 destacou a necessidade urgente de abordar a relação entre conflitos e crise climática. Com a participação de diversas nações, a conferência se tornou um espaço crucial para discutir as consequências ambientais das guerras e a necessidade de ações imediatas para mitigar esses impactos. As delegações deixaram claro que, sem apoio internacional, muitos países em conflito estão condenados a enfrentar tanto a guerra quanto a degradação ambiental simultaneamente.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Governo Federal










