Moradores protestam contra construção de prédio em Higienópolis

Ato simbólico será realizado no próximo dia 24 para contestar projeto que ameaça casarão tombado

Moradores protestam contra construção de prédio em Higienópolis
Protesto contará com pipoca e artistas para chamar atenção para a causa. Foto: Mônica Bergamo

Ato em Higienópolis questiona construção de torres em área tombada; moradores se mobilizam.

Protesto em Higienópolis contra construção de prédio

Moradores de Higienópolis preparam um protesto, denominado “Pipocada da Legalidade”, para a próxima segunda-feira (24) em frente à Casa Piauí, um casarão tombado. O ato visa contestar a construção de duas torres residenciais que ameaçam o patrimônio histórico da região.

Detalhes do ato e sua organização

O evento está marcado para meio-dia na esquina das ruas Piauí e Itacolomi. Os organizadores, que fazem parte do coletivo Pró-Higienópolis, planejam uma manifestação festiva com pipoca, música e artistas de rua. A ideia é “estourar aprovações irregulares e pipocar cidadania”, segundo os membros do coletivo, que contam com o apoio de associações de diversos bairros.

Controvérsia sobre o alvará de construção

O projeto de construção, que recebeu o apelido de “Godzilla” pelos vizinhos, gerou polêmica após um parecer jurídico da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL) afirmar que o alvará concedido pela Prefeitura é irregular. O documento, assinado por procuradores da própria administração, alega que o projeto fere o Plano Diretor, pois o imóvel tombado não poderia utilizar os parâmetros da Zona de Especial Interesse Urbanístico (ZEU), que permite maior altura e adensamento.

A Prefeitura, por sua vez, defende a legalidade do alvará, afirmando que o uso de potencial construtivo adicional é permitido e que não há necessidade de levar o processo à Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CTLU), como sugerido pelos procuradores.

Reações das incorporadoras

As incorporadoras responsáveis pelo projeto, Helbor e MPD, afirmaram que não foram notificadas oficialmente sobre o parecer que questiona o alvará e sustentam que a obra atende rigorosamente a legislação vigente, com entrega prevista para 2028.

Acesso à informação bloqueado

A situação se agravou após o parecer ser divulgado, levando a SMUL a bloquear o acesso ao processo administrativo, o que gerou descontentamento entre os moradores. A Prefeitura justificou que se tratava de “documentos preparatórios”, mas posteriormente liberou o acesso aos arquivos, mantendo, no entanto, o parecer jurídico sob sigilo.

Este contexto tenso destaca a luta dos moradores pela preservação de seu patrimônio e a necessidade de transparência nas decisões que afetam a comunidade.

Fonte: redir.folha.com.br

Fonte: Mônica Bergamo