Desigualdade no Mapa: Por que as Ruas do Rio Refletem Tão Pouco a Presença Feminina?


Ao percorrer as ruas do Rio de Janeiro, um trajeto comum logo revela uma curiosidade incômoda: a predominância de nomes masculinos em placas de ruas e avenidas. Da Ponte Presidente Costa e Silva à Avenida Presidente Vargas, a toponímia da cidade parece ecoar uma história contada quase exclusivamente sob a perspectiva masculina. Essa constatação levanta uma questão crucial: onde estão as homenagens às mulheres que moldaram e continuam a construir a identidade da cidade?

No estado do Rio de Janeiro, onde as mulheres representam 52,8% da população, essa disparidade é ainda mais evidente. A ausência de nomes femininos nos logradouros públicos não se restringe à capital; estende-se por praticamente todos os 92 municípios fluminenses, revelando um machismo estrutural profundamente enraizado na sociedade. Essa realidade se manifesta como um sistema que perpetua a desigualdade de gênero em diversas esferas.

A história, como sabemos, foi tradicionalmente narrada sob uma lente masculina, valorizando figuras como viscondes, generais e barões. Essa narrativa enviesada se reflete, inclusive, na lentidão em conceder direitos básicos às mulheres, como o direito ao voto, conquistado apenas em 1932. Essa herança histórica contribui para a invisibilidade feminina nos espaços públicos e na memória coletiva.

Os dados comprovam a persistência da desigualdade. Um relatório recente revelou que, em 2024, as mulheres ganhavam 20,9% menos que os homens, mesmo sendo maioria entre os graduados no ensino superior. Na política, a sub-representação feminina é notória. Em 2024, o Rio de Janeiro registrou a menor proporção de vereadoras eleitas no Brasil, com apenas 9% das cadeiras ocupadas por mulheres.

Contudo, há iniciativas que merecem reconhecimento. No Rio de Janeiro, a Lei Municipal nº 2.906/1999, de autoria do vereador Rogério Cardoso Salgadinho, estabelece a alternância de nomes masculinos e femininos na nomeação de logradouros públicos. Espera-se que, com a expansão urbana, essa medida impulsione o aumento da representatividade feminina nos mapas da cidade, superando o atual patamar de aproximadamente 15%.

O anseio é que esse exemplo inspire outras cidades e estados a adotarem medidas semelhantes, não apenas na nomeação de espaços públicos, mas também na implementação de políticas que promovam a igualdade de gênero em todos os setores da sociedade. Que nomes como Maria Quitéria, Princesa Isabel, Dandara dos Palmares e Marielle Franco ganhem cada vez mais companhia em nossos trajetos diários, tornando nossas cidades mais justas, representativas e femininas.

Fonte: http://odia.ig.com.br


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