Estudo revela que homens negros enfrentam risco elevado de morte por arma de fogo no Brasil


Dados indicam que 80% das vítimas de homicídios são negras, com destaque para a juventude

Estudo revela que homens negros enfrentam risco elevado de morte por arma de fogo no Brasil
A pesquisa revela a elevada vulnerabilidade de homens negros em relação à violência armada. Foto: Folhapress

Relatório aponta que homens negros têm 211% mais chances de morrer por arma de fogo em relação aos não negros no Brasil.

Desigualdade racial e violência armada no Brasil

Um estudo recente do Instituto Sou da Paz revela que homens negros têm 211% mais chances de serem mortos por arma de fogo no Brasil do que homens não negros. A pesquisa, divulgada em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, analisa dados oficiais sobre homicídios e violência armada ao longo de mais de uma década. Os dados indicam que 80% das vítimas de homicídios são negras, com uma maioria de jovens entre 20 e 29 anos, frequentemente mortos em vias públicas.

Dados alarmantes sobre homicídios

Utilizando informações do Ministério da Saúde, a pesquisa baseia-se nos registros de óbitos do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) de 2012 a 2023 e nas notificações de agressões do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) de 2012 a 2024. A disparidade racial se manifesta em todas as regiões do país, sendo mais acentuada no Nordeste e no Norte. Em 2023, o Nordeste registrou a maior taxa de homicídios masculinos por arma de fogo, com 55,8 mortes por 100 mil homens, onde 90% das vítimas eram negras. O Norte segue com 45,7 mortes por 100 mil homens, um cenário marcado por conflitos relacionados ao tráfico e à exploração de recursos naturais.

Homicídios por região e suas implicações

O Sudeste apresenta a menor taxa, mas ainda concentra 20% dos casos. O Sul é a única região onde a maioria das vítimas é não negra, reflexo do perfil demográfico local. Em termos absolutos, a Bahia liderou em 2023 com 5.209 homicídios por arma de fogo, seguida por Pernambuco e Rio de Janeiro. Quando analisados os índices por 100 mil homens, o Amapá se destaca com 111,5, seguido da Bahia e Pernambuco.

O cenário nas capitais

Nas capitais, os piores índices de mortalidade por arma de fogo são observados em Macapá, Salvador, Recife e Maceió. Em todas as capitais brasileiras, homens negros morrem em maior número do que homens não negros. O Rio de Janeiro, por exemplo, experimentou a operação policial mais letal da história do país em outubro, resultando em 121 mortes, um número alarmante que levanta questões sobre a eficácia das políticas de segurança pública.

O papel da sociedade civil

Diversas organizações de direitos humanos, incluindo Anistia Internacional e Justiça Global, criticaram a operação, afirmando que ela reflete um padrão de letalidade direcionado a populações negras e empobrecidas, enfatizando a necessidade de uma mudança nas abordagens de segurança. A análise também destaca que 49% dos homicídios masculinos ocorrem em vias públicas, enquanto apenas 11,6% acontecem em residências. Essa tendência aponta para a violência urbana como um fenômeno que afeta desproporcionalmente jovens negros, reforçando a urgência de políticas mais eficazes.

A urgência de políticas públicas

A diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, destacou a falência da política de segurança pública no Brasil em enfrentar as intersecções entre raça, gênero e território. Ela defende o controle da circulação de armas como uma medida central para a prevenção da violência armada. A pesquisa conclui que é necessário investir na redução das desigualdades raciais nas políticas de segurança pública, reconhecendo a realidade enfrentada pelas populações mais vulneráveis e buscando soluções que priorizem a preservação da vida.

A análise da violência armada no Brasil, especialmente em relação à população negra, é um chamado à ação para que políticas públicas efetivas sejam implementadas, visando não apenas a redução da criminalidade, mas a construção de uma sociedade mais justa e equitativa.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Folhapress


Veja também

Justiça afasta vereador Lórens Nogueira por suspeita de rachadinha

A Justiça determina afastamento cautelar de 90 dias do vereador Lórens Nogueira após denúncia do …

TV Assembleia lança série para esclarecer Eleições 2026 no Paraná

TV Assembleia estreou programa especial ‘Na Urna’ para instruir eleitores do Paraná sobre os cargos …

Flávio Bolsonaro tenta justificar filiação fantasma ao Missão como erro de gabinete

Flávio Bolsonaro enfrenta crise após filiação fraudulenta ao partido Missão ser registrada sem seu consentimento …

Governo Lula Responde com Reciprocidade ao Tarifaço dos EUA

O governo Lula iniciou nesta quinta-feira processo de reciprocidade contra as tarifas de 25% impostas …

EUA e Japão desafiam China com mina submarina em águas profundas

EUA e Japão avançam em projeto para exploração da mina submarina mais profunda do mundo …

Flávio Bolsonaro desafia regras fiscais e ataca STF em plano presidencial

Plano de Flávio Bolsonaro prevê nova regra fiscal rigorosa para reduzir dívida e limita poderes …

Últimas Notícias

Justiça afasta vereador Lórens Nogueira por suspeita de rachadinha

A Justiça determina afastamento cautelar de 90 dias do vereador Lórens Nogueira após denúncia do…

TV Assembleia lança série para esclarecer Eleições 2026 no Paraná

TV Assembleia estreou programa especial ‘Na Urna’ para instruir eleitores do Paraná sobre os cargos…

Flávio Bolsonaro tenta justificar filiação fantasma ao Missão como erro de gabinete

Flávio Bolsonaro enfrenta crise após filiação fraudulenta ao partido Missão ser registrada sem seu…

Governo Lula Responde com Reciprocidade ao Tarifaço dos EUA

O governo Lula iniciou nesta quinta-feira processo de reciprocidade contra as tarifas de 25%…

EUA e Japão desafiam China com mina submarina em águas profundas

EUA e Japão avançam em projeto para exploração da mina submarina mais profunda do mundo em…