Protestos de alunos da USP contra presença de presidente de ONG em evento sobre Gaza


Estudantes manifestam descontentamento durante a palestra de André Lajst, representante da ONG Stand With Us

Protestos de alunos da USP contra presença de presidente de ONG em evento sobre Gaza
Estudantes protestam durante evento na USP. Foto: Folhapress

Estudantes da USP protestam contra André Lajst, presidente da ONG Stand With Us, durante evento sobre Gaza.

Na última segunda-feira (17), alunos da Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo) realizaram protestos em um evento que contava com a presença de André Lajst, presidente da ONG Stand With Us. O evento, intitulado “Conversas sobre o mundo”, visava discutir a complexa situação da guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas na Faixa de Gaza.

A palestra havia sido inicialmente agendada para a semana anterior, mas foi adiada devido a preocupações com a segurança do convidado. A organização da palestra alegou que havia “risco de agressão” ao representante da ONG. No entanto, os alunos demonstraram seu descontentamento ao entrar no auditório com bandeiras da Palestina e do Líbano, gritando palavras de ordem contra Lajst. Durante o ato, ele foi chamado de genocida e os estudantes deixaram claro que sua presença não era bem-vinda na instituição.

O Centro Acadêmico 11 de Agosto, que representa os estudantes da USP, já tinha se manifestado previamente por meio de uma nota de repúdio à realização do evento. O documento criticava a presença de um representante de uma ONG que, segundo os alunos, defende práticas genocidas e a normalização do apartheid em relação ao povo palestino. “A presença de um representante de uma organização que atua na defesa e na normalização do regime de apartheid e das práticas genocidas do Estado de Israel contra o povo palestino é uma afronta à tradição humanista, democrática e libertária”, dizia o texto.

Em resposta aos protestos, Lajst afirmou, em uma publicação nas redes sociais, que “tentaram transformar a palestra em caos” e classificou o episódio como uma tentativa de censura. A ONG Stand With Us, conhecida por seu apoio a Tel Aviv durante o conflito em Gaza, também se manifestou, alegando que os manifestantes tentaram impedir a realização da palestra. Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra a agitação no auditório, com os participantes tentando falar sobre o evento enquanto eram interrompidos pelos gritos dos manifestantes.

O Centro Acadêmico não respondeu a um pedido de comentário sobre a situação. Em uma declaração ao portal Opera Mundi, o coletivo de estudantes afirmou que Lajst estava tentando deslegitimar as críticas feitas pelos alunos. “Ao invés de responder às críticas políticas feitas por estudantes, ele tentou enquadrar a manifestação — um direito constitucional — como uma ameaça à democracia. É exatamente o contrário: contestar discursos opressores é exercício democrático, não sua negação”, afirmaram.

Na mesma publicação, Lajst expressou sua crença no diálogo, mesmo diante de tentativas de silenciar as vozes divergentes. Este episódio revela a crescente polarização sobre as discussões relacionadas ao Oriente Médio nas universidades brasileiras, especialmente em um momento em que a situação em Gaza se agrava.

Os comentários e reações sobre o evento estão longe de se esgotar, e o debate sobre a presença de vozes pró-Israel em instituições acadêmicas continua a gerar controvérsias e divisões entre os alunos. O que se viu na USP é mais um exemplo de como o conflito no Oriente Médio reverbera fortemente em solo brasileiro, refletindo a complexidade e a sensibilidade do tema para muitos estudantes.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Folhapress


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