Uma articulação entre o centrão e a direita no Congresso Nacional resultou em um duro golpe para o governo Lula nesta terça-feira (18). Aprovado por uma ampla maioria de 370 votos a 110, o projeto de Lei Antifacção expôs a fragilidade da base governista e reacendeu o debate sobre segurança pública, tema que promete ser central nas eleições de 2026.
O revés no Congresso ocorre em um momento delicado para o governo, após a repercussão negativa de uma operação policial no Rio de Janeiro e a interrupção na recuperação da popularidade de Lula, conforme apontou recente pesquisa Genial/Quaest. O tema da segurança pública, historicamente associado à direita, tem sido explorado pelo bolsonarismo e centrão como forma de impulsionar suas chances eleitorais.
A aprovação do PL Antifacção, considerado prioritário pelo Executivo, gerou forte reação por parte do governo e seus aliados. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), chegou a declarar que a votação do projeto acirrou uma “crise de confiança” com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).
“É claro que tem uma crise aqui de confiança, é claro que todo mundo sabe que o presidente [Lula] reclamou muito, é um projeto de autoria do Poder Executivo”, afirmou Lindbergh, evidenciando o descontentamento do governo com a condução do processo legislativo.
A votação foi marcada por intensos debates e acusações mútuas entre governistas e oposicionistas. Enquanto a oposição, liderada pelo deputado Zucco (PL-RS), celebrou a aprovação como um avanço no combate ao crime organizado, a deputada Maria do Rosário (PT-RS) criticou o projeto, alegando que ele favorece o crime organizado.
A disputa pela autoria da proposta e as críticas à condução do presidente da Câmara intensificaram a desconfiança do Palácio do Planalto em relação a Motta. A expectativa do governo é que o Senado possa rever pontos considerados problemáticos do projeto, buscando um texto mais alinhado com as diretrizes do Executivo.
Após a votação, Hugo Motta defendeu a autonomia do Parlamento, afirmando que sua função “não é carimbar um projeto e passar adiante”. “O compromisso do Parlamento é debater as matérias e entregar a melhor versão possível. Estou seguro que o texto aprovado hoje é a melhor versão para enfrentar o crime organizado”, concluiu.










