Campo Grande registra um triste balanço no primeiro semestre: pelo menos oito pessoas em situação de rua perderam a vida. As causas, que incluem violência, acidentes e problemas de saúde, escancaram a fragilidade dessa população e reacendem o debate sobre a assistência oferecida. A situação levanta sérias questões sobre a efetividade das políticas públicas e a urgência de medidas para proteger os mais vulneráveis.
Entre as vítimas, casos de atropelamento, agressões e até feminicídio ilustram a dura realidade enfrentada nas ruas. A morte de Giseli Cristina Oliskowiski, 40 anos, vítima de feminicídio no bairro Aero Rancho, exemplifica como a dependência química e a falta de moradia a expuseram a uma violência fatal. Há ainda um caso sob investigação, ocorrido em um posto de combustíveis, que aguarda esclarecimentos.
A situação se agrava com o prazo judicial que pressiona a Prefeitura de Campo Grande a reformar ou transferir o Centro Pop, sob pena de multa diária. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) tem denunciado as condições precárias das unidades de acolhimento, com problemas estruturais que comprometem a dignidade dos usuários e os afastam dos serviços. A promotora de Justiça Paula Volpe enfatiza que “essas pessoas são invisíveis aos olhos da sociedade” e reafirma o compromisso do MPMS em garantir seus direitos.
De acordo com o MPMS, as ações judiciais foram motivadas por anos de tentativas frustradas de resolução extrajudicial, diante da persistência das falhas nas estruturas de acolhimento. As inspeções revelaram problemas como infiltrações, superlotação e falta de higiene, levando muitos a preferirem a rua, mesmo com os riscos. O órgão pede, inclusive, indenização por danos morais coletivos, dada a gravidade da situação.
A Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS) afirma realizar abordagens diárias por meio do SEAS, oferecendo acolhimento à população de rua. A pasta ressalta que o acolhimento não é obrigatório e que muitos permanecem nas ruas para complementar a renda ou por recusarem tratamento para dependência química. A prefeitura informou que está ciente da situação e que planeja readequar as unidades de acolhimento que necessitam de melhorias.










