Paraná lança pacote de crédito de R$ 400 milhões para mitigar impacto de tarifas americanas

Nova linha de crédito atende empresas exportadoras paranaenses afetadas por tarifa de 50%

O Governo do Paraná lançou um pacote emergencial de crédito no valor total de R$ 400 milhões para atender empresas e cooperativas impactadas pela nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O anúncio foi feito pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) nesta sexta-feira (1º), e busca oferecer alívio imediato a companhias que sofreram prejuízos com a medida internacional.

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Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

O pacote é composto por duas frentes principais: uma linha de crédito específica do BRDE para empresas exportadoras de médio e grande porte, e um programa da Fomento Paraná voltado a pequenos empreendedores. A expectativa é de que os recursos sirvam tanto para garantir capital de giro como para permitir renegociações de dívidas existentes, especialmente em um cenário que já provocou demissões e paralisações em diversos setores da economia estadual.

Crédito emergencial com condições especiais

O BRDE destinou R$ 200 milhões para a nova linha de crédito emergencial. Podem acessar os recursos empresas e cooperativas paranaenses que comprovem ser exportadoras para os Estados Unidos e tenham sido prejudicadas pela nova taxação. O financiamento varia entre R$ 500 mil e R$ 10 milhões por empresa, com prazo de cinco anos e carência de um ano. A taxa de juros será IPCA + 4% ao ano — abaixo das condições praticadas no mercado.

Os critérios para concessão do crédito incluem histórico de exportações, demissões recentes ou férias coletivas como consequência da redução de vendas. Empresas que já possuem contratos com o BRDE e estejam enfrentando dificuldades no pagamento também poderão renegociar parcelas ou obter prorrogação dos compromissos assumidos.

Aquelas que necessitarem de valores superiores a R$ 10 milhões poderão ser avaliadas dentro de outras linhas tradicionais do banco. Para viabilizar essa nova linha, o Governo do Estado aplicará R$ 43 milhões em recursos próprios, oriundos dos dividendos do BRDE, garantindo maior competitividade nos juros ofertados.

Apoio às pequenas empresas

Complementando a ação, a Fomento Paraná também destinará até R$ 200 milhões para o atendimento de micro e pequenas empresas. Com foco no microcrédito e em operações de até R$ 500 mil, o programa atenderá pequenos empreendedores que comprovarem prejuízo com a nova tarifa. A instituição também vai renegociar dívidas de empresas que apresentem queda nas exportações e dificuldades operacionais.

Governador cobra atuação diplomática

O governador Carlos Massa Ratinho Junior destacou que o pacote de crédito faz parte de uma estratégia mais ampla de resposta à crise. “O Governo do Paraná tem a missão de defender a economia e as nossas empresas. Estamos trabalhando diretamente com os setores atingidos para apresentar medidas e esperamos que o governo federal, por meio do Itamaraty, consiga abrir diálogo com os Estados Unidos e reverter essa decisão”, afirmou.

Além da concessão de crédito, o Estado anunciou outras iniciativas de apoio aos setores atingidos, como a liberação do uso de créditos de ICMS homologados no Siscred para melhoria do fluxo de caixa e a postergação de compromissos relacionados a investimentos já firmados. Também está em estudo um aporte de capital no Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE) para ampliar a oferta de crédito com juros reduzidos.

Impactos graves à economia estadual

O decreto tarifário norte-americano entra em vigor no dia 6 de agosto e exclui da lista de exceções a maioria dos produtos exportados pelo Paraná. Os setores mais prejudicados são os de madeira reflorestada, café, chá, carnes, couro, mel, móveis, cerâmica, peixes e erva-mate. Mesmo com a previsão de isenção para “madeira tropical”, a medida não contempla a produção paranaense, baseada majoritariamente em reflorestamento.

Segundo levantamento estadual, apenas 2,7% das exportações paranaenses para os Estados Unidos estão na lista de exceções — um total de US$ 42,4 milhões, dentro de um montante de US$ 1,59 bilhão. Isso representa um prejuízo potencial muito superior ao de outros estados brasileiros. Produtos como petróleo, aço e aviões, que compõem a maior parte das exportações nacionais aos EUA e foram excluídos da tarifa, não fazem parte da pauta de exportação do Paraná.

Estado monitora cenário e promete mais ações

A Secretaria da Fazenda do Paraná segue realizando avaliações detalhadas sobre o impacto econômico da medida e mantém diálogo direto com setores produtivos, sindicatos e federações empresariais. “Esse é um momento delicado da economia e as empresas terão apoio total do Poder Público Paranaense”, declarou o secretário da Fazenda, Norberto Ortigara.

Com o pacote emergencial e outras medidas em análise, o Governo do Paraná busca preservar empregos, manter a competitividade de suas exportações e evitar uma retração econômica nos setores mais afetados pela nova política comercial dos EUA.

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