Eduardo Bolsonaro critica decisão da 1ª Turma do STF como ilegal


Deputado federal se opõe à decisão que o tornou réu e acusa Alexandre de Moraes de abuso de poder

Eduardo Bolsonaro critica decisão da 1ª Turma do STF como ilegal
Deputado Eduardo Bolsonaro durante entrevista por videoconferência. Foto: m.

Eduardo Bolsonaro classifica como "fajuta" a decisão da 1ª Turma do STF que o tornou réu.

Eduardo Bolsonaro critica a decisão da 1ª Turma do STF

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) manifestou sua indignação em relação à decisão da 1ª Turma do STF (Supremo Tribunal Federal), que o tornou réu, chamando-a de “fajuta”. Ele fez essas declarações em um vídeo publicado em seu canal no YouTube na sexta-feira, 14 de novembro de 2025. De acordo com Eduardo, a interpretação da Corte é inválida e o ministro Alexandre de Moraes estaria “abusando de seu poder” inconstitucionalmente, ao estender a aplicação de leis além das fronteiras do Brasil.

Eduardo Bolsonaro é alvo de acusações de que teria tentado interferir nos Estados Unidos no julgamento de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. O relator do caso é o ministro Moraes, com quem a família Bolsonaro já teve diversos atritos.

Acusações e contexto

O deputado alega que Moraes estaria utilizando a extraterritorialidade para justificar suas ações, o que, segundo ele, configura um abuso de autoridade. No seu discurso, Eduardo menciona que está sendo alvo de uma “caça às bruxas” promovida por Moraes, que já foi punido anteriormente com a aplicação da Lei Magnitsky por Donald Trump, ex-presidente dos EUA.

Moraes, por sua vez, afirma que Eduardo articulou ações nos EUA, que incluem a imposição de tarifas e a suspensão de vistos para autoridades brasileiras, com o objetivo de criar um clima de intimidação sobre o julgamento de Jair Bolsonaro. O ministro destacou que a articulação de sanções econômicas pelos Estados Unidos representa uma grave ameaça à soberania brasileira.

Desenvolvimento da investigação

A Polícia Federal (PF) apresentou um relatório em 20 de agosto, onde indicou que Jair e Eduardo Bolsonaro, com o apoio do pastor Silas Malafaia, tentaram pressionar autoridades norte-americanas a impor sanções contra ministros do STF e a economia brasileira. A denúncia formal foi feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em 22 de setembro, e além de Eduardo, o jornalista Paulo Figueiredo também foi acusado.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, declarou que ambos utilizaram ameaças de sanções econômicas, amplamente divulgadas nas redes sociais, para pressionar autoridades brasileiras a arquivar investigações envolvendo o ex-presidente ou a conceder anistia. A 1ª Turma do STF rejeitou as alegações de suspeição contra Moraes para relatar o caso, aumentando a tensão entre as partes envolvidas.

Implicações políticas

A situação revela um clima de instabilidade política no Brasil, onde as relações entre o governo e o Judiciário estão em constante ebulição. As acusações de Eduardo e o posicionamento do STF refletem a polarização existente no país, onde questões jurídicas estão atreladas a disputas políticas.

Com isso, a decisão da 1ª Turma do STF ainda deve gerar repercussões significativas, tanto no cenário político quanto na percepção pública sobre a integridade do sistema judiciário brasileiro.


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