A extensão rural no Brasil, após um período de reestruturação desde 2003, busca agora expandir suas fronteiras, transcendendo a tradicional atuação no campo. Novas demandas impõem revisões à Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Pnater), com crescente reconhecimento da importância das relações campo-cidade.
Instituições desafiam a Lei nº 12.188/2010, que limita a extensão ao meio rural, implementando ações de segurança alimentar em áreas urbanas. Projetos de agricultura urbana e periurbana fortalecem a agricultura familiar, demonstrando a necessidade de integrar as dimensões rural e urbana para combater a fome e a pobreza. “O papel da extensão rural passa a ser articulador dessas dimensões”, destaca Flaviane de Carvalho Canavesi, professora e pesquisadora da UnB.
O Projeto Extensão Rural e Agroecologia (ERA), em parceria entre a UnB e o Ministério do Desenvolvimento Agrário, exemplifica essa nova abordagem. Atuando em territórios de vulnerabilidade social no Distrito Federal, como Sol Nascente e Ceilândia, o projeto mapeia a agricultura urbana e periurbana baseada na agroecologia e economia solidária.
Dados do IBGE revelam a concentração de população vulnerável nas áreas de atuação do projeto. No Sol Nascente, a maioria da população é composta por pessoas pretas e pardas, com alta taxa de famílias monoparentais femininas e jovens sem emprego ou estudo. A iniciativa busca, portanto, promover inclusão social e econômica através da agricultura.
Com duração entre 2024 e 2025, o projeto ERA visa sistematizar recomendações para a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural. A expectativa é que a legislação seja atualizada para incluir ações voltadas à agricultura urbana e periurbana, consolidando a extensão rural como ferramenta de transformação social e segurança alimentar nas cidades.










