Justiça italiana mantém Carla Zambelli presa e extradição entra em fase decisiva

Deputada seguirá detida na Itália enquanto aguarda decisão final sobre retorno ao Brasil

A deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP) continuará presa na Itália enquanto aguarda o julgamento do processo de extradição que pode levá-la de volta ao Brasil para o cumprimento de uma pena de dez anos de prisão. A decisão foi tomada pela Quarta Seção do Tribunal de Roma e reforça a linha adotada anteriormente pela Corte de Apelação da capital italiana, que já havia negado a libertação da parlamentar.

Carla Zambelli
Foto: Reprodução internet

Zambelli está detida na penitenciária feminina de Rebibbia, uma das unidades prisionais mais conhecidas da Itália. O local abriga presas de alta repercussão e é considerado um ambiente seguro e de vigilância reforçada, o que pesou na decisão das autoridades judiciais italianas para mantê-la sob custódia.

A defesa da parlamentar apresentou um pedido para que ela aguardasse o julgamento do processo de extradição em liberdade, com a aplicação de medidas alternativas, como retenção de passaporte, monitoramento eletrônico ou restrição de deslocamento. No entanto, o tribunal rejeitou o pedido e determinou que qualquer reavaliação sobre a situação só será feita em meados de agosto. Até lá, a deputada permanecerá presa.

Condenação no Brasil e busca por refúgio na Europa

Carla Zambelli foi condenada no Brasil após decisão definitiva que determinou uma pena de dez anos de prisão e a perda do mandato parlamentar. A condenação está relacionada à invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), configurando crimes graves que colocaram em risco a integridade de dados e informações institucionais. Com o trânsito em julgado, não há mais possibilidade de recursos por parte da defesa.

Antes da prisão, a parlamentar havia deixado o país e se estabelecido na Itália, alegando perseguição política. Mesmo diante da decisão judicial brasileira, Zambelli insistia em afirmar que era vítima de um processo movido por motivações ideológicas. No entanto, a inclusão de seu nome na lista de difusão vermelha da Interpol mudou o cenário. Ao constar oficialmente como foragida internacional, sua detenção tornou-se uma questão de tempo, considerando a cooperação entre os sistemas de justiça europeus e o Brasil.

Impacto diplomático e político

O caso provocou repercussão nos meios diplomáticos e políticos. A situação de Zambelli passou a ser acompanhada por autoridades consulares brasileiras, que acompanharam a audiência de custódia e prestaram informações sobre o processo. O Ministério da Justiça da Itália será agora o responsável por encaminhar o caso ao tribunal competente que analisará, com base no direito penal e nos tratados bilaterais, as condições para a entrega da parlamentar ao Brasil.

Nos bastidores políticos, a prisão da deputada teve repercussão imediata. Zambelli, que se notabilizou como uma das vozes mais radicais da direita bolsonarista, viu sua imagem política desmoronar após a condenação e posterior fuga para a Europa. Sua permanência no exterior, longe do cenário político brasileiro, contribuiu para um processo de enfraquecimento dentro do próprio partido. Mesmo aliados próximos passaram a evitar manifestações públicas em sua defesa.

O processo de extradição pode durar semanas ou até meses, dependendo da complexidade dos trâmites e das manifestações da defesa. Ainda que a prisão seja mantida, a análise definitiva sobre a entrega da deputada ao Brasil caberá ao Judiciário italiano, que terá a última palavra sobre o cumprimento do pedido brasileiro.

Isolamento e futuro político indefinido

Enquanto permanece detida, Zambelli enfrenta um futuro político incerto. A condenação que impôs a perda do mandato parlamentar já abriu caminho para sua cassação formal na Câmara dos Deputados, restando apenas procedimentos burocráticos para consolidar sua saída definitiva do cargo. Mesmo que retornasse ao Brasil, sua inelegibilidade por decisão judicial a impedirá de disputar cargos públicos por muitos anos.

Isolada, sem apoio institucional robusto e com a defesa limitada às possibilidades do ordenamento jurídico italiano, a deputada licenciada agora depende exclusivamente das decisões que serão tomadas no exterior. O caso pode se tornar um marco na cooperação entre países no combate a crimes digitais e na responsabilização de figuras públicas por atos ilegais.

O julgamento da extradição ainda não tem data definida, mas as autoridades italianas deixaram claro que o processo seguirá os trâmites legais com o devido rigor. Até lá, Carla Zambelli continuará presa, aguardando o desfecho de um dos episódios judiciais mais emblemáticos envolvendo um parlamentar brasileiro no exterior.

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