Segurança deve ir além da repressão para combater o crime organizado


Análise sobre a necessidade de integrar políticas públicas de segurança com outras áreas

Segurança deve ir além da repressão para combater o crime organizado
Oscar Vilhena Vieira. Foto: Oscar Vilhena Vieira

Análise crítica sobre a abordagem da segurança no Brasil e a necessidade de políticas integradas.

Segurança não é só repressão: uma análise crítica

A segurança pública no Brasil enfrenta um desafio imenso, onde as políticas estritamente repressivas, por vezes, apenas aumentam a demanda por mais violência. O professor Oscar Vilhena Vieira, em sua análise, destaca a urgência de integrar as políticas de segurança às demais políticas públicas, uma abordagem que se mostra crucial para o enfrentamento efetivo do crime organizado.

Recentemente, a Câmara dos Deputados apresentou propostas que revelam um despreparo alarmante em relação ao combate ao crime. O deputado escolhido para relatar o chamado Marco Legal do Combate ao Crime Organizado demonstrou inconsistência em suas propostas, gerando incertezas sobre as diretrizes a serem seguidas. Essa situação evidencia a necessidade de uma reflexão mais profunda sobre as estratégias adotadas.

A ineficácia da repressão

O ciclo vicioso das políticas de segurança é um fenômeno estudado por especialistas. Como comentado por Theo Dias e Carolina Ricardo, as abordagens meramente repressivas criam um mercado para o populismo penal, onde a ineficácia das ações leva a um aumento da demanda por mais repressão. O exemplo do Rio de Janeiro é emblemático: a repressão sem uma base legal sólida só agrava os problemas existentes.

A experiência de países como a Itália e a Colômbia, além de estados brasileiros, oferece um repertório valioso para o desenvolvimento de políticas públicas eficazes. A combinação de repressão com ações de recuperação de territórios dominados pelo crime é fundamental. Como demonstram as experiências em Bogotá e Medellín, a reurbanização e revitalização das áreas afetadas são indispensáveis para devolver dignidade às comunidades.

Fortalecimento das instituições

Para combater o crime organizado, é vital a profissionalização das instituições de justiça e das agências de aplicação da lei. Isso inclui não apenas a inteligência policial, mas também a inteligência financeira. A criação de uma Agência Nacional Anticrime, como a que existe na Itália, é um exemplo a ser seguido. O Brasil deve revisar suas normas de sigilo bancário, que atualmente favorecem a infiltração do crime no sistema financeiro.

Integração das políticas públicas

A integração e coordenação de ações são desafios políticos e administrativos. No entanto, são essenciais para um combate eficaz ao crime. A figura de Geraldo Alckmin, com seu histórico de redução de homicídios, pode ser um aliado na construção de uma política de segurança mais eficaz.

Conclusão

A segurança pública não pode se restringir a medidas repressivas. O fortalecimento das instituições, a recuperação de territórios e a integração de políticas públicas são fundamentais para enfrentar o crime organizado. Somente dessa forma poderemos criar um ambiente seguro e promover a justiça social no Brasil.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Oscar Vilhena Vieira


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