Escândalo no Transporte Escolar em Roraima: Empresas Cobram por Rotas Fantasmas Enquanto Alunos Sofrem sem Acesso

Em Roraima, um paradoxo revoltante se desenrola: enquanto pais de baixa renda lutam para garantir o transporte escolar de seus filhos, empresas são investigadas por cobranças indevidas de R$4,3 milhões por rotas não realizadas. O Ministério Público de Contas (MPC) apura as denúncias, enquanto famílias clamam por um direito básico, muitas vezes ignorado pelo poder público.

Uma auditoria da Secretaria Estadual de Educação (Seed) revelou que empresários do setor inflaram os custos do transporte escolar em diversos municípios, incluindo Amajari, Normandia, Caracaraí e Boa Vista. Justamente nessas localidades, pais desesperados buscam o apoio da Seed, enfrentando barreiras burocráticas e a negligência das autoridades.

O caso de José Porfírio Barros e Arlinda Rodrigues dos Santos, moradores da Serra do Tepequém, ilustra a situação. Há três anos, eles lutam para que sua filha de 14 anos tenha acesso ao transporte escolar, sem sucesso. “Já recorremos a vereadores, à sede da escola e ao Conselho Tutelar, mas nunca fomos atendidos”, lamenta José Porfírio.

Com uma renda limitada ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), o casal precisa sacrificar o sustento da família para pagar o transporte da filha até a Vila do Paiva, onde ela estuda. A situação se agrava com os gastos com medicamentos, essenciais para o tratamento de saúde da mãe e da própria adolescente.

A omissão do poder público, diante de tantos casos de estudantes prejudicados pela falta de transporte, contrasta com a busca incessante das empresas por pagamentos por serviços não prestados. A Constituição Federal assegura educação gratuita e de qualidade, um direito que se torna uma miragem para muitos jovens roraimenses.

É urgente que os órgãos fiscalizadores investiguem a fundo o desvio de recursos e garantam que os responsáveis sejam punidos. Mais do que isso, é imprescindível que o governo estadual priorize o acesso ao transporte escolar, assegurando que nenhum estudante seja privado do direito à educação por falta de condições financeiras ou de infraestrutura adequada.

Fonte: http://www.folhabv.com.br