CEO da Nestlé Brasil destaca necessidade de financiamento para agricultura regenerativa

Marcelo Melchior acredita que práticas sustentáveis podem revitalizar o setor agrícola

CEO da Nestlé Brasil destaca necessidade de financiamento para agricultura regenerativa
CEO da Nestlé Brasil, Marcelo Melchior, discute práticas sustentáveis. Foto: Governo Federal

Marcelo Melchior, da Nestlé Brasil, defende financiamento de longo prazo para a agricultura regenerativa durante a COP30.

CEO da Nestlé Brasil fala sobre financiamento para agricultura regenerativa

Na COP30, realizada em Belém, o CEO da Nestlé Brasil, Marcelo Melchior, sublinhou a urgência do financiamento de longo prazo para a agricultura regenerativa. Ele acredita que essa prática é crucial para que o Brasil possa revitalizar seu setor agrícola sem depender do desmatamento ou do uso de agrotóxicos.

Melchior destacou que a agricultura regenerativa pode transformar o cultivo de cacau, tornando-o próspero novamente no país e contribuindo para a autossuficiência. Ele ressaltou que a maior barreira para a adoção dessas práticas não é técnica, mas sim financeira. “Essa agricultura precisa de financiamento de longo prazo, com taxas adequadas, menores que as praticadas atualmente”, afirmou o executivo.

Benefícios da agricultura regenerativa

O estande da Nestlé na COP30, localizado na AgriZone, serve como uma vitrine para os benefícios da agricultura regenerativa. Melchior mostrou amostras de solo que evidenciam as diferenças entre o cultivo regenerativo e o convencional. “As pessoas podem ver como é impressionante a diferença de um solo regenerativo em relação ao convencional — é outro visual, são outras cores. Você percebe a biodiversidade e o efeito para a planta”, explicou.

A Nestlé já incentiva seus fornecedores a adotarem práticas de cultivo sustentáveis desde 2022. Atualmente, cerca de 41% do cacau, café e leite fornecidos à empresa provêm de fazendas que aplicam agricultura regenerativa. Com isso, Melchior acredita que o Brasil pode recuperar sua posição como grande exportador de cacau, que foi perdida na década de 1980 devido a pragas e à falta de práticas tecnificadas.

Desafios do agronegócio

O agronegócio brasileiro enfrenta resistência a técnicas alternativas, muitas vezes preferindo insumos sintéticos. Melchior enfatizou a importância de demonstrar resultados práticos e de criar confiança entre os produtores. Ele mencionou que a mudança deve ser gradual, com etapas de adaptação, para que os agricultores sintam segurança nas novas abordagens. “Um erro custa muito para eles. Então, primeiro, altero uma parte da produção, depois outra”, disse.

Os desafios financeiros são uma limitação significativa para a adoção em larga escala da agricultura regenerativa. Melchior defendeu a necessidade de políticas públicas que garantam suporte a esse segmento, permitindo que agricultores se sintam seguros em investir em mudanças que exigem tempo e recursos.

Compromissos da Nestlé

Nesta semana, a Nestlé anunciou dois convênios com a Embrapa para testar como diferentes dietas podem reduzir as emissões de gases de efeito estufa das vacas leiteiras e para desenvolver sistemas agroflorestais mais eficientes na produção de cacau. Essas iniciativas são parte do esforço contínuo da empresa para promover práticas sustentáveis em sua cadeia de produção.

Melchior também abordou a decisão da Nestlé de sair de uma aliança global para reduzir as emissões de gás metano, afirmando que a empresa continua comprometida com a redução das emissões em suas operações. Ele destacou a importância de focar em diversas iniciativas, incluindo a circularidade das embalagens.

O futuro da agricultura no Brasil

Com um olhar otimista, Melchior acredita que em cerca de dez anos o Brasil pode alcançar a autossuficiência na produção de cacau, se forem feitas as mudanças necessárias. Ele ressaltou que a COP30 é uma oportunidade para mostrar as boas práticas do país e desmistificar a imagem de que a agricultura brasileira depende de métodos prejudiciais ao meio ambiente.

“Temos tecnologia, drone, inteligência artificial, robô. É possível ter uma agricultura regenerativa com escala, sem desmatar. Mas para isso, precisamos de mais recursos, mais financiamento”, concluiu Melchior.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Governo Federal